CINEMA

Emoção e celebração da memória marcam início do Festival da Fronteira

Evento cinematográfico sediado em Bagé terá vencedores conhecidos neste sábado (2)

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Sessão de homenagem a Sapiran Brito (1947-2025) foi a primeira atividade pública do evento
Sessão de homenagem a Sapiran Brito (1947-2025) foi a primeira atividade pública do evento | Crédito: Anderson Coka

Destacando o valor da preservação da memória, as heranças culturais do regime colonial das Américas foi tema do primeiro dia do 17º Festival Internacional de Cinema da Fronteira, em Bagé. A terça-feira (28) foi intensa, começando, à tarde, com a homenagem póstuma a Sapiran Brito (1947-2025) e finalizando, perto das 23h, embalada por música. 

Uma edição especial do Sarau do Solar da Assembleia Legislativa do RS abriu o 17º ano do evento com show de Lúcio Yanel e Grupo de Cordas da UCS. Nesta noite, o lendário violonista e compositor também recebeu uma homenagem do festival. A cerimônia, que superlotou o Instituto Municipal de Belas Artes de Bagé (IMBA), reuniu autoridades, artistas e comunidade.

Igualmente superlotada estava a sala de exibição do Cine 7, a partir das 14h, para a projeção do curta Sapiran Brito e o Teatro em Bagé, dirigido pelo próprio e realizado com a equipe do evento. Foi um momento marcado por muita emoção, celebrando o legado cultural para história da cidade do artista e pai do idealizador do festival, Zeca Brito.

Exibições dos filmes em competição também ocorrem no Cine 7, no Centro – Crédito: Anderson Coka | Crédito: Anderson Coka

Com o sensível e belo longa de abertura da competição, Ángeles, a premiada diretora argentina radicada no México Paula Markovitch (que traz filme ao evento pela terceira vez e deve sair novamente destacada com troféus São Sebastião), afirmou que a ideia era problematizar a “mirada colonial” e gerar um documento social sobre a precariedade social da sua região natal, Córdoba. 

Trazendo poetisas expoentes da literatura portuguesa contemporânea, a baiana Vânia Lima, com o segundo longa concorrente da mostra, Cartas Para…, acaba por problematizar a mesma herança do regime colonial do nosso continente e ainda do africano. Além da jovem portuguesa/angolana Raquel Lima e da veterana moçambicana Paulina Chiziane (Prêmio Camões 2021), a obra tem no início a brasileira Elisa Lucinda recitando os versos: “Todo poema é um tambor, uma missiva, uma carta de despedida”.

Justamente, Tambor Sem Fronteiras é o título do longa de Adriana Gonçalves que teve sessão especial no cinema, para fechar o primeiro dia de exibições. Tendo passado pelo laboratório da seção mercadológica do evento, a produção bageense resgata a presença do candombe nesta região de Fronteira com o Uruguai e toda sua contribuição cultural ao longo das gerações.

Na sequência, na cerimônia no IMBA, o atual secretário de Cultura comemorou a institucionalização do Festival da Fronteira, que a partir desta edição passa a ser correalizado pela AL-RS. “É um momento muito especial. O tema do nosso festival este ano é ‘Volver a los 17‘. Nós somos jovens, mas já temos uma história. Estamos nos aproximando da maioridade, mas ao mesmo tempo temos o frescor da juventude, uma sede de saber e de conhecimento”, apontou Zeca Brito. “Nós somos uma cidade do interior, do extremo Sul do Brasil, mas nesta semana nós somos a capital cultural do RS e do cinema latino-americano”, complementou.

Abertura oficial teve a presença do prefeito no Instituto Municipal de Belas Artes (IMBA) – Crédito: Anderson Coka/Divulgação

Cláudio Viana Jr., superintendente de Comunicação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS, comemorou a chancela de todos os deputados da instituição: “A Assembleia entende que investir na cultura é investir no presente, futuro, e no desenvolvimento de uma sociedade”. Ele destacou a premiação no valor de 15 mil aos filmes vencedores, oferecido pelo novo troféu São Sebastião/Assembleia Legislativa, além de apoios na comunicação e estrutura. “Estamos muito felizes em estar participando e vendo que a população de Bagé e arredores valorizou e valoriza o evento do Festival da Fronteira”, atesta.

Para o prefeito da cidade, Luiz Fernando Mainardi, o apoio da Assembleia é muito bem-vindo para a consolidação do festival. Salientou também as qualidades artísticas e turísticas da cidade: “A cada ano, o festival se fortalece mais. Vamos percebendo que Bagé tem este potencial extraordinário para a arte, cultura, dança e música”. Mainardi evocou a importância da cultura como motor de desenvolvimento, além da valorização da identidade local. Para ele, eventos culturais, como o festival, a música nativa, o carnaval e a feira do livro, são apontados como parte de uma estratégia para fortalecer o município.

O 17º Festival Internacional de Cinema da Fronteira é uma realização da Associação Pró-Santa Thereza, Prefeitura de Bagé, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal, e Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Apoio da Associação dos Amigos do Instituto Municipal de Belas Artes (IMBA) e Jornal Minuano. Apoio institucional é da TV Câmara, Centro Universitário da Região Da Campanha, Instituto Federal Sul Rio-grandense (IFSul) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa). O patrocínio é da Philip Morris Brasil, com financiamento do Pró-Cultura, Lei de Incentivo à Cultura, Governo do Estado do Rio Grande Do Sul. 

Com sessões competitivas, exibições especiais, atividades de formação e apresentações musicais diárias e gratuitas, a programação do 17º do Festival Internacional de Cinema da Fronteira segue até sábado (2) à noite, com outra apresentação especial do Sarau do Solar. Desta vez, com Maria Luiza Benitez, que também será homenageada pela organização do evento.

Nesta edição, 30 títulos concorrem ao novo Prêmio São Sebastião/Assembleia Legislativa. Em paralelo ao festival, acontece o laboratório de projetos Sur Frontera WIP LAB, voltado para profissionais do audiovisual. Atividades de formação e apresentações musicais todos os dias complementam a programação. 

Todas as atrações são gratuitas. Além de Sapiran, Yanel e Maria Luiza, Elvira Nascimento, Nei Lisboa e Paulo Ricardo de Moraes são os demais homenageados deste ano.

Editado por: Marcela Brandes

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