Um dos pontos de destaque da 1ª Conferência para Transição Energética, que aconteceu em Santa Maria, na Colômbia, e se encerrou na quarta-feira (29), foi o lançamento de um painel para transição energética global. A iniciativa tem como base um projeto na cidade de São Paulo (SP) que terá cinco anos para sensibilizar os governos para a importância de acelerar esse processo para a crise climática.
O geógrafo e professor da pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Ribeiro explica que, diferente da dimensão política contida em relatórios como o IPCC, a proposta é, de certa forma, mais prática e busca uma continuidade dos esforços da COP30, realizada no ano passado em Belém (PA).
“Foi um pedido do André Correa Lago, que chamou o Carlos Nobre, que mobilizou uma série de outros pesquisadores importantes que trabalham com a questão climática e que, finalmente, agora nessa reunião, criaram esse fórum, que tem como meta fundamental comunicar de maneira mais ágil grandes decisões científicas para o grande público. Isso é muito importante, ainda mais em um momento em que a gente assiste, infelizmente, à profusão de uma série de notícias falsas, gente que ainda questiona o aquecimento global”, avalia.
Para ele, iniciativas assim aproximam questões climáticas de debates que suplantam as grandes decisões e contribuem para que o debate seja cada vez mais democratizado.
“Um argumento que a gente tem assistido com frequência é que a causa principal não seria de fato a intervenção humana com o desmatamento e com a queima de combustíveis fósseis, mas seria, na verdade, um processo natural sobre o qual nós não teríamos nenhum tipo de controle. Esse painel não vai buscar a construção de um consenso científico, como o IPCC costuma operar, mas vai procurar ser mais ágil e comunicar premissas já consolidadas na ciência, como a participação importante das emissões de gás de efeito estufa, seja por meio de queima de combustíveis fósseis, carvão, petróleo e seus derivados”, avalia.
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