O processo de consulta à comunidade acadêmica para a escolha da nova Reitoria e Vice-Reitoria da Universidade do Distrito Federal (UnDF) entrou em uma fase decisiva com o início oficial da campanha eleitoral. A abertura do calendário, porém, ocorre em meio a fortes contestações sobre a legitimidade das regras adotadas e denúncias de falta de democracia interna.
O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) manifestou indignação com a forma como a comissão responsável por organizar a votação foi estruturada. “A reitora agora convoca uma eleição e coloca todo o corpo que vai dirigir o processo eleitoral. Não tem um professor de carreira na universidade, só cargo comissionado. Isso é um absurdo. Eu nunca tinha visto isso na minha vida”, criticou o parlamentar durante sessão na Câmara Legislativa na terça (28), antes da exoneração da reitora pró-tempore Simone Benck.
A composição da junta eleitoral é o principal alvo das críticas de professores que acompanham o processo desde o início. Segundo a professora de jornalismo Luiza Guimarães, a configuração atual do edital dificulta que a universidade tenha uma gestão que represente de fato os interesses da comunidade acadêmica.
“Hoje o edital está montado de modo que dificilmente a gente teria uma representatividade de fato democrática”, avaliou a docente, destacando que a situação exige providências urgentes.
A desconfiança aumentou após a dissolução de uma comissão anterior que contava com participação docente. Para Luiza, a ausência de professores de carreira em uma instância que define os rumos de uma universidade pública representa uma anomalia institucional e fere princípios básicos da autonomia universitária.
Vícios e falta de dados
A professora Isadora Ribeiro, da área de Gestão Ambiental, afirma que as falhas no processo eleitoral refletem problemas administrativos mais amplos. Ela criticou a tentativa da reitoria de transferir responsabilidades institucionais para estudantes e docentes. “Eles estão tendo uma responsabilidade que é deles, que é uma função típica de gestão de uma reitoria, tentando transferir para o corpo discente e docente”, denunciou.
De acordo com a docente, a falta de embasamento técnico nas decisões da administração contraria princípios constitucionais. “Dentro do princípio da eficiência eles devem tomar as decisões a partir de dados concretos. Se eles não têm esses dados, por que eles estão tomando esse tipo de decisão?”, questionou a professora, defendendo que o acúmulo de irregularidades justificaria a anulação dos atos da atual gestão.
O presidente do sindicato dos professores (SindUnDF), Louis Blanchet, ressaltou que a eleição ocorre em meio a um cenário de insegurança, agravado pela greve que já dura 45 dias. Para ele o edital já nasceu fragilizado por ter sido elaborado exclusivamente por integrantes ligados à ex-reitora, Simone Benck. Parte da comunidade acadêmica teme que essa estrutura favoreça chapas alinhadas à continuidade da gestão.
Para o deputado distrital Max Maciel (Psol-DF), os conflitos em torno da eleição revelam distorções na organização institucional da UnDF e alertou que, sem uma gestão de transição capaz de reorganizar a estrutura acadêmica, a legitimidade da futura reitoria continuará sob questionamento. “Senão esse projeto, esse problema vai aparecer no segundo momento”, pontuou.
Regras e chapas
Três chapas tiveram candidaturas homologadas pela Comissão Especial Eleitoral. São elas: Avança UnDF: Unir e Valorizar, encabeçada por Ângela Ferreira Barros, com Danúbia da Costa Teixeira para vice; Chapa Construção e Democracia, formada por Viviane Cristina Uliana Peterle e Francisco Job Neto; e Movimento UnDF Unida, liderada por Ricardo Barros Sampaio, com Thais Martins Gomes de Oliveira na vice-reitoria.
A consulta está marcada para o dia 18 de maio e será realizada de forma eletrônica por meio do sistema de votação da universidade.
O edital prevê a participação de docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes regularmente matriculados. A apuração deve considerar peso de um terço para cada segmento, mas a falta de transparência na fiscalização desse cálculo segue entre as principais queixas do Diretório Central Acadêmico (DCA).
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