Dia do Trabalhador

1ª de Maio: PC russo exalta legado soviético em ato comemorativo em Moscou

Membros e simpatizantes do Partido Comunista da Rússia se reuniram no centro da capital russa

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Manifestação do Dia do Trabalhador em Moscou, na Rússia, em 1º de Maio de 2026
Manifestação do Dia do Trabalhador em Moscou, na Rússia, em 1º de Maio de 2026

O Partido Comunista da Rússia realizou um evento comemorativo do feriado do 1º de Maio, em Moscou, para celebrar o Dia Internacional da Solidariedade dos Trabalhadores. Membros e simpatizantes do partido se reuniram no centro da capital russa junto ao monumento de Karl Marx, na Praça Teatralnya.

Durante o ato, dirigentes do Partido Comunista da Rússia realizaram falas e levantaram bandeiras defendendo a classe trabalhadora, mas também exaltando o papel histórico da União Soviética.

O presidente do Comitê Central do Partido Comunista da Rússia, Gennady Zyuganov, em seu discurso, afirmou que o período soviético demonstrou ser possível reconstruir o país sob ideais de paz, trabalho e fraternidade, implementando conquistas sociais importantes.

“Ela [URSS] demonstrou ao planeta inteiro que, sob os lemas da paz, do trabalho e da fraternidade entre as nações, o Império Russo, devastado pela Primeira Guerra Mundial, poderia ser reconstruído na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Decisões foram tomadas para estabelecer a jornada de trabalho de oito horas e a licença-maternidade para as mulheres”, afirmou.

Ao falar da conjuntura internacional e do papel da Rússia no mundo, Zyuganov demonstrou alinhamento ao presidente russo, Vladimir Putin, sobretudo em relação à atual guerra da Ucrânia, alegando que o conflito na verdade representaria uma guerra do Ocidente “contra o mundo russo“.

“A guerra contra o mundo russo já dura cinco anos. Os anglo-saxões e 50 países da OTAN declararam guerra a uma grande civilização com mais de mil anos. A estratégia de Trump destaca especificamente três países: China, Rússia e Irã. Mas a hegemonia dos EUA e do Ocidente não é mais possível no planeta!”, defendeu.

Por outro lado, o líder do Partido Comunista criticou fortemente o sistema econômico atual da Rússia, caracterizando-o como oligárquico e ineficiente, apontando problemas como estagnação econômica, altos juros, dificuldades para pequenas empresas, aumento do custo de vida e baixas aposentadorias.

Transformação do 1º de Maio na Rússia

A manifestação do Partido Comunista no Dia do Trabalhador já é tradicional no calendário dos feriados nacionais, mas, em contraste com o período soviético, as celebrações de resgate têm um caráter pontual e minoritário na Rússia contemporânea. Isto se deve ao processo de despolitização do simbolismo do 1º de Maio.

Em meio ao processo da dissolução da União Soviética, a comemoração do 1º de Maio perdeu o caráter ideológico e, consequentemente, a importância do feriado – antes promovido pelo Estado – diminuiu.

A partir de então, o feriado passou por um forte processo de despolitização e hoje é uma data majoritariamente de aspecto festivo, quando os russos aproveitam o anúncio da primavera para viajar e descansar, emendando em um recesso que dura até o feriado do dia 9 de maio, o Dia da Vitória, que celebra a derrota da Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial.

Os significados políticos ainda existem, mas passaram a ser lembrados por grupos mais restritos, normalmente ligados ao Partido Comunista do país.

Esse processo pode ser percebido na própria mudança de nomenclatura do feriado, pois se no período soviético o 1º de Maio era considerado o “Dia da Solidariedade Internacional dos Trabalhadores”, a partir de 1992, após o fim da URSS, a data passar a ser chamada de “Dia da Primavera e do Trabalho”.

Editado por: Raquel Setz

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