SEM CRISE

‘O presidente é candidato’, afirma Edinho Silva sobre boatos de desistência de Lula

Presidente do PT reconhece que partido deveria ter assinado a CPI do Banco Master

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Lula ao lado dos ex-presidentes do partido Humberto Costa e Gleisi Hoffmann, e do novo presidente Edinho Silva | Crédito: Divulgação/PT

Em meio a uma conjuntura de embates entre os três poderes e aliança do centrão com a extrema direita para derrotar o governo no Congresso Nacional, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, reafirmou a centralidade da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o processo eleitoral. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o dirigente foi enfático ao descartar qualquer rumor sobre recuo na disputa pela reeleição: “Essa hipótese não existe. O presidente é candidato”.

A declaração ocorre em uma semana marcada por movimentações de setores do Congresso Nacional que, sob a liderança de Davi Alcolumbre (União-AP), rejeitaram a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e derrubaram o veto ao projeto da dosimetria, que beneficia os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Crise do Modelo Político

Para Edinho Silva, o atual cenário revela o esgotamento do modelo político brasileiro, em que o Legislativo tem usurpado funções do Executivo por meio do controle de R$ 60 bilhões em emendas. “As emendas são um sintoma do desgaste. Quando você as torna moeda de troca, estabelece-se um balcão de negociação que enfraquece o sistema inteiro”, afirmou.

O dirigente também fez uma autocrítica em relação à atuação da bancada petista no caso do Banco Master, classificando como um “erro” a não assinatura do pedido de CPI por parte do partido.

“O PT deveria ter liderado. Diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter formado as comissões de investigação”, pontuou, ressaltando que o esquema financeiro em questão é um legado da gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos, indicado por Jair Bolsonaro (PL).

Reforma do Judiciário

Ao comentar os ataques à democracia e a necessidade de reformas, Silva defendeu que o Brasil busque referências internacionais para democratizar o Judiciário e aproximá-lo da sociedade. E ressaltou que é importante combater privilégios. Ele alertou ainda para a postura do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), em viagens ao exterior.

“Lula é o líder mais preparado para conduzir o Brasil nesse momento de turbulência mundial. O Flávio Bolsonaro foi nos Estados Unidos falando, em inglês, que vai entregar as reservas de terras raras do Brasil para o governo norte-americano. Olha o absurdo”, denunciou o presidente do PT.

Nova Classe Trabalhadora

Questionado sobre os desafios eleitorais e a comunicação com a juventude, Edinho destacou a urgência de o partido se organizar junto à “nova classe trabalhadora”, como os entregadores e motoristas de aplicativos. Segundo ele, a resposta ao sentimento “antissistema” deve vir da esquerda, através de propostas concretas como a reforma da renda e o fim da escala 6×1.

“Nós deveríamos estar discutindo de forma séria, e não ideológica, como vamos aumentar as vagas de trabalho num mundo em que a tecnologia avança e o número de trabalhadores diminui. Porque, se não for assim, não adianta a gente aumentar a produtividade. Não vai ter quem consuma.”, concluiu.

Editado por: Rodrigo Gomes

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