Vitórias da luta

A retomada da dignidade: o que conquistamos e o que ainda precisamos avançar

Sindicalista faz balanço de avanços do governo Lula para trabalhadores e defende campanha pelo fim da escala 6x1

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Em manifestação em Copacana, homem negro posa ao lado de uma placa de fundo verde clara em que está escrito 'mais tempo para viver' em destaque e na sequência estão mais saúde, mais lazer, mais família, mais dignidade
A demanda pelo fim da escala 6×1 foi a principal pauta levada para a manifestação de 1º de maio | Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

Companheiros e companheiras, quando assumimos a linha de frente da resistência contra o desmonte do Estado brasileiro e a privatização fatiada da nossa Petrobras nos anos sombrios que antecederam 2023, sabíamos que a reconstrução não seria fácil. O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou, antes de tudo, um respiro democrático e a interrupção de uma sangria de direitos que ameaçava não apenas a nossa categoria, mas toda a classe trabalhadora.

Hoje, passados mais de três anos deste novo ciclo, é nosso dever sindical fazer um balanço crítico. O que de fato mudou na vida do trabalhador brasileiro? Quais foram as conquistas reais e onde o capital ainda impõe suas amarras?

O fim do arrocho e a volta do ganho real

Para nós, petroleiros, a luta por salários justos sempre esteve atrelada à defesa da soberania nacional. Mas não podemos olhar apenas para o nosso umbigo. A retomada da Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo foi, sem dúvida, a vitória mais estruturante deste governo para a base da pirâmide social.

Lembremos que viemos de um período em que o piso nacional era reajustado apenas pela inflação — um verdadeiro congelamento da pobreza. Com a nova política, o salário mínimo voltou a ter ganho real atrelado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Saímos de R$ 1.412,00 em 2024 para R$ 1.518,00 em 2025, e em 2026 para R$ 1.621,00. Isso injeta bilhões na economia real, aquela da padaria, do mercadinho, do comércio de bairro, gerando um ciclo virtuoso que beneficia a todos.

Os números não mentem: a renda média do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.378 no início de 2026, o maior valor da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com um ganho real de 3,6% no ano. É o trabalhador voltando a ter poder de compra, voltando a sonhar.

Emprego e a luta contra a precarização

A geração de empregos formais também retomou seu fôlego. Foram 1,4 milhão de vagas com carteira assinada em 2023 e em 2025 havia 38,9 milhões de brasileiros com carteira assinada em um índice desemprego de 5,6%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Um resultado positivo que segue no primeiro trimestre deste ano.

No entanto, nós do movimento sindical sabemos que não basta ter emprego; é preciso ter emprego digno. A reforma trabalhista de 2017 deixou cicatrizes profundas, legalizando o bico e a precarização. É por isso que celebramos, com cautela e mobilização, as recentes medidas de proteção aos trabalhadores terceirizados — uma realidade que conhecemos bem nas refinarias e plataformas. A garantia de reembolso-creche e a redução da jornada para 40 horas semanais para 60 mil terceirizados da Administração Pública Federal é um passo importante, mas que precisa ser estendido a todo o setor privado.

A batalha histórica: o fim da escala 6×1

Se há uma pauta que unificou a classe trabalhadora recentemente, foi a luta contra a desumana escala 6×1. O envio do projeto de lei pelo governo federal ao Congresso Nacional, em abril de 2026, é uma vitória da mobilização popular. O texto prevê o fim dessa escala e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais.

Nós, que operamos em turnos ininterruptos de revezamento, sabemos o peso que a exaustão física e mental tem sobre a saúde e a segurança do trabalhador. A proposta de garantir dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial, para 14 milhões de brasileiros é uma questão de saúde pública e dignidade humana. Mas não sejamos ingênuos: o capital financeiro e o lobby patronal no Congresso farão de tudo para desidratar essa proposta. Nossa mobilização nas ruas e nas redes será fundamental para garantir essa aprovação.

Justiça fiscal e social

Outro avanço que não podemos ignorar é a correção de distorções históricas. A sanção da Lei nº 14.611/2023, que garante a igualdade salarial entre homens e mulheres na mesma função, é uma conquista civilizatória. Nas nossas bases, onde a presença feminina tem crescido, essa lei é um instrumento poderoso de combate ao machismo estrutural.

Na frente fiscal, a ampliação da isenção do Imposto de Renda — para quem ganha até R$ 5.000,00 — alivia o bolso de 20 milhões de trabalhadores. É o começo de uma justiça tributária onde quem ganha menos paga menos. Aliado a isso, o Programa Desenrola Brasil tirou a corda do pescoço de 15 milhões de endividados, permitindo que essas famílias voltassem a respirar.

O desafio contínuo

Companheiros, o balanço é positivo, mas a luta não terminou. A Petrobrás voltou a investir no Brasil, o PAC foi retomado e os direitos sociais estão sendo reconstruídos. Contudo, a correlação de forças no Congresso Nacional ainda é amplamente desfavorável aos trabalhadores.

Cada conquista listada aqui não foi um presente, mas fruto de pressão, negociação e resistência. O fim da escala 6×1, a revogação dos entulhos da reforma trabalhista e a defesa incondicional das nossas estatais exigem um movimento sindical forte, unido e com os pés no chão de fábrica.

Avançamos muito desde 2023, mas o horizonte que buscamos — uma sociedade verdadeiramente justa, soberana e igualitária — ainda exige muito suor e muita luta.

Sigamos firmes! Viva o 1º de maio! Viva os trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil!

*Tezeu Bezerra é diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), do Sindpetro-NF e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores do estado do Rio de Janeiro.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Juliana Passos

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