tragédia climática

Emergência por chuvas em Pernambuco não é desastre natural, mas político, diz ativista

Igor Travassos explica que duas perspectivas que devem ser encaradas: mitigação e adaptação

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Milhares de pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas em Pernambuco
Milhares de pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas em Pernambuco | Crédito: Prefeitura de Timbaúba

As chuvas que atingiram Pernambuco no final de semana, deixando seis mortos e obrigando mais de 9 mil pessoas a deixarem suas casas, fizeram com que o governo do estado decretasse situação de emergência em 27 cidades.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Igor Travassos, comunicador e ativista socioambiental, afirma que os eventos climáticos extremos são cada vez mais comuns, mas destaca que o cenário trágico é resultado de falta de ação política e de investimentos em estrutura.

“A gente defende que esse não é um desastre natural, é um desastre político. Estamos vivendo um contexto de mudanças climáticas, sim, mas o histórico da região metropolitana do Recife e litoral de Pernambuco já é conhecido e oferece riscos constantes como deslizamentos, alagamentos. A gente não está falando de algo novo”, diz.

“Minha mãe, por exemplo, tem 69 anos, e cita que com 5 teve a casa perdida. A gente teve as famosas cheias em 1960, 1965, 1970 e 1979. Essa história vai se repetindo e não pelo evento extremo, pelas mudanças climáticas. A questão da tragédia, do desastre, é fruto de inação política”, afirma.

Travassos explica que o movimento socioambiental trabalha com duas perspectivas no que diz respeito à emergência climática: mitigação e adaptação. Para ele, não é possível falar em soluções se não se garante a preservação de biomas. “Quando a gente vai falar de mitigação, a gente está falando justamente sobre recuperar áreas degradadas, fazer reforma agrária, titulação de terra quilombola, demarcação de terra indígena, regulação do agronegócio. A gente tem que falar sobre emissão de gás carbônico, que é o que está causando tudo. E, no Brasil, essa emissão dos gases está diretamente ligada ao uso da terra”, afirma.

O ativista também destaca a necessidade de tratar com seriedade e urgência o processo de transição energética. “Envolve basicamente conservar, preservar e restaurar o meio ambiente, a natureza”, resume.

Travassos lembra, no entanto, que a crise energética é uma realidade e, além dos processos de mitigação, é preciso haver ações de adaptação. “A gente precisa conviver agora com esses eventos extremos. E basicamente o que está em jogo é a vida. A gente tem visto, pessoas que têm morrido em eventos climáticos extremos, perdido dignidade.”

O ativista também reforça o recorte social e racial de tragédias como essa. “Algumas áreas que são ocupadas pela elite não têm os mesmos impactos do que as áreas vulnerabilizadas. E aqui eu destaco, inclusive, esse termo, que para nós não são áreas vulneráveis, são áreas vulnerabilizadas porque elas se tornam vulneráveis a partir da falta da ação política, da falta do investimento do orçamento público, porque são áreas com as mesmas características”, destaca.

“A gente tem que estruturar os territórios para lidar com isso, tornar esses esses territórios seguros. A gente está falando de primeiro mapear o risco, saber exatamente em que aquele território, aquele lugar, aquela rua, aquele bairro, quais são os riscos diante desses várias naturezas de eventos climáticos, quais riscos aquele território ele está suscetível”, avalia.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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