O ativista brasileiro Thiago Ávila segue sequestrado pelas forças israelenses depois que a flotilha Sumud, que levava ajuda para a Faixa de Gaza, foi interceptada em águas internacionais na quinta-feira (30). Ávila foi detido junto do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, que também segue preso. Ambos serão interrogados em Israel.
Nesta segunda-feira (4), o colunista do ICL Notícias Jamil Chade divulgou uma carta do ativista para sua filha. No texto, Ávila pede que ela não se esqueça dos palestinos, independentemente do que aconteça com ele.
Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Amanda Harumy afirma que mais do que um descumprimento do direito internacional, o que está acontecendo é a negação de qualquer direito. “Tanto a política externa do Trump quanto a do Netanyahu negam os organismos multilaterais, o direito internacional. Os ativistas estavam em águas internacionais, o que significa que Israel não pode julgá-los. Você só pode dizer que alguém cometeu um crime se esse alguém está no seu território, porque aí você vai ter soberania para realizar o processo legal”, afirma.
“É difícil trazer apenas o argumento do direito internacional, porque para esses governos de extrema direita, o direito internacional não importa”, acrescenta.
Para Harumy, o tipo de ativismo realizado pela flotilha e por Ávila também contribui para uma importante disputa de narrativa. “Tem como objetivo furar a bolha da narrativa e mostrar o que realmente está acontecendo lá [em Gaza]. A gente pode dizer que é um ativismo, mas mais do que isso, eu gosto de dizer que essas organizações ativistas podem atuar como diplomacia de base que vai além dessas negociações entre Estados”, afirma.
Harumy defende que a diplomacia brasileira se engaje para que Ávila seja libertado. Não só como ativista, mas como brasileiro. Ele é um brasileiro com passaporte e precisa ser liberado. E nós, movimentos sociais, jornais, precisamos dar a voz, denunciar esse processo, porque o ativismo vai nessa direção, de mostrar as infrações que Israel está cometendo”, afirma.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
