pelas mulheres

Combate ao feminicídio exige articulação e engajamento coletivo, avalia especialista

Juliana Brandão considera que foco em prevenção é um dos acertos do programa federal de enfrentamento ao crime

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Feminicídio é todo homicídio praticado contra a mulher que tenha como características violência doméstica/familiar e/ou menosprezo/discriminação à condição de mulher
Feminicídio é todo homicídio praticado contra a mulher que tenha como características violência doméstica/familiar e/ou menosprezo/discriminação à condição de mulher | Crédito: Jorge Leão

O programa “Antes que aconteça” foi lançado pelo governo federal na segunda-feira (4) com o objetivo de fortalecer as políticas públicas de combate ao feminicídio e ampliar as redes de apoio para mulheres vítimas de violência.

Em entrevista ao programa É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Juliana Brandão, coordenadora temática do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca como pontos positivos do programa a atuação na quebra do ciclo da violência, com foco no reconhecimento e acolhimento das vítimas. “A gente vê a prevenção. E temos expectativas de que, de fato, a gente esteja semeando novos caminhos para enfrentar essa violência que só cresce a cada dia”, afirma.

Para ela, a chave da questão é a articulação de diferentes órgãos — já prevista na Lei Maria da Penha. E é preciso ir além do papel: “Na prática, a gente precisa que cada um dos atores envolvidos se engaje e se proponha a uma construção que é coletiva. A responsabilidade de cada um, de forma isolada, não consegue mudar esse estado das coisas. É preciso de uma forma articulada de fato”, diz.

Brandão pondera que problemas complexos não são resolvidos apenas com alterações legislativas, exigindo estratégias combinadas para se atingir o objetivo — no caso, a proteção das mulheres e meninas.

Brandão conta que, dois anos atrás, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizou uma pesquisa que perguntou para mulheres o que elas tinham feito diante da pior violência que sofreram nos últimos 12 meses. “A resposta que mais teve retorno foi ‘nada’. E não fizeram nada porque essa transição do espaço privado para o espaço público ainda é muito tumultuada. Reconhecer-se como uma pessoa que é titular de direitos ainda é algo muito frágil. As mulheres não conseguem estabelecer uma relação de confiança com o Estado para que elas possam superar a vergonha, o medo.”

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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