A greve dos trabalhadores da educação municipal de Canoas (RS) foi mantida após decisão tomada em assembleia geral realizada na tarde de segunda-feira (4), em meio ao aprofundamento do impasse entre a categoria e o Executivo. O movimento, iniciado no dia 22 de abril, segue sem acordo após a aprovação, pela Câmara de Vereadores, de projeto de lei enviado pelo prefeito Airton Souza (PL) que define o parcelamento da reposição salarial em seis vezes.
A continuidade da paralisação ocorre após uma semana marcada por tensionamentos nas negociações. Segundo representantes da categoria, o envio do projeto ao Legislativo, durante o andamento das tratativas, foi interpretado como ruptura do diálogo por parte do governo municipal. A proposta aprovada trata do pagamento do índice de reposição da inflação, pauta que havia sido rejeitada anteriormente pelos trabalhadores em educação.
Assembleia decide pela continuidade
Durante a assembleia, os profissionais debateram os rumos do movimento e deliberaram pela permanência da greve. Integrante do comando de greve, a professora Katielle de Oliveira afirmou que a decisão reflete a insatisfação da categoria com a condução das negociações. Segundo ela, os educadores seguem cobrando a reabertura do diálogo com a prefeitura, a não realização de descontos pelos dias parados e a construção de um calendário para reposição das aulas.
Ainda de acordo com a professora, também estão entre as reivindicações a definição de prazos para demandas relacionadas à legislação municipal e a criação de grupos de trabalho permanentes para tratar de questões estruturais da rede, como infraestrutura das escolas e quadro de pessoal. Essas pautas, segundo a categoria, vêm sendo apresentadas ao longo dos últimos anos sem encaminhamentos concretos.
Projetos aprovados ampliam impasse
O ponto central do conflito está nos projetos de lei enviados pelo prefeito Airton Souza à Câmara em regime de urgência. As propostas foram aprovadas em sessão extraordinária e estabelecem as condições para o pagamento do reajuste dos profissionais da educação.
Para os trabalhadores, a medida desconsiderou o processo de negociação em curso. Representantes do movimento afirmam que a aprovação legislativa consolidou uma proposta já rejeitada pela base, dificultando a construção de um acordo. A percepção entre parte dos educadores é de que o impasse tende a se prolongar, podendo migrar para o campo judicial.
Dados apresentados pelo movimento indicam que a adesão à greve alcançou 46% dos profissionais das escolas municipais de ensino fundamental e 28% nas escolas municipais de educação infantil, números que demonstram impacto parcial no funcionamento da rede.
Reivindicações seguem sem acordo
Entre os principais pontos reivindicados estão a reposição salarial integral, o cumprimento do piso nacional do magistério e a aplicação da lei conhecida como “Descongela”, que trata da contagem de tempo de serviço para fins de progressão na carreira. A valorização profissional e melhorias nas condições de trabalho também integram a pauta apresentada ao Executivo.
A categoria também reivindica garantias em relação à organização do calendário escolar após o término da greve, com reposição das aulas sem prejuízo aos trabalhadores. Outro ponto de negociação envolve a formalização de espaços permanentes de diálogo para tratar de demandas estruturais da rede municipal.
Prefeitura alega limite financeiro
Em nota, a Prefeitura de Canoas informou que recebeu com preocupação a decisão de continuidade da greve. A administração municipal afirma que manteve diálogo com a categoria durante o processo e sustenta que a proposta apresentada representa o limite possível dentro da capacidade financeira do município.
O Executivo destaca que os projetos aprovados garantem o pagamento do piso nacional do magistério já no próximo salário e estabelecem a reposição salarial em parcelas. A gestão também aponta medidas recentes como ações de valorização dos profissionais, entre elas a concessão de vale-alimentação, a realização de concurso público, a contratação de monitores de inclusão e a retomada das eleições para diretores escolares.
Apesar disso, a prefeitura reconhece que a paralisação tem impactado o funcionamento de parte das escolas e a rotina de estudantes e famílias.
Mobilização segue e busca novos espaços
Com a manutenção da greve, os trabalhadores em educação ampliam a mobilização e buscam novos espaços institucionais para apresentar suas demandas. Está prevista a participação da categoria em reunião da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde devem expor a situação e reivindicações do movimento.
