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Nova CNH: processo digital reduz custos, amplia acesso e cria nova formação para motoristas

Mais simples e até 80% mais barata, iniciativa do Governo Federal atrai motoristas que dirigiam sem habilitação

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O aplicativo CNH do Brasil foi lançado em dezembro de 2025
O aplicativo CNH do Brasil foi lançado em dezembro de 2025 | Crédito: Divulgação / Serpro

No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas dirigiam veículos sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) até o ano passado, de acordo com estimativas do Ministério dos Transportes. Outros 80 milhões não sabiam dirigir. Entre os motociclistas, são 17,5 milhões não habilitados. 

Esses números, entretanto, vêm caindo, desde que a simplificação do processo de emissão do documento entrou em vigor, em dezembro de 2025. 

O novo programa CNH do Brasil, do governo federal, fez a busca pela primeira habilitação quadruplicar no início de 2026, conforme a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). O total de novos registros disparou de 369,2 mil, em janeiro de 2025, para 1,7 milhão, em janeiro deste ano. Já são 3 milhões de pedidos e 298,5 mil documentos emitidos desde dezembro do ano passado até fevereiro deste ano.

Processo simples e barato

Uma dessas novas CNHs é a da Liziane Miguel, de 32 anos, comerciante em Guarulhos (SP). “Eu já sabia dirigir. Mas como tinha carro automático, não me arriscava muito. Me dava um medo. Agora tirei a CNH e pude fazer aulas no meu carro, mesmo”, conta. 

O processo foi simples: a primeira coisa que Liziane fez foi baixar o aplicativo CNH do Brasil, disponível gratuitamente nas lojas Google Play e App Store. Quem tem o aplicativo anterior, da Carteira Digital de Trânsito (CDT), precisa atualizá-lo na plataforma correspondente ao seu dispositivo.

O passo seguinte foi fazer o curso teórico e online, disponível gratuitamente no app CNH do Brasil. Foi nesse curso que Liziane aprendeu, por exemplo, que dirigir com o braço para fora, apoiado na janela do motorista, não é permitido. “Outra coisa que eu não tinha a menor noção é que andar em ponto morto na descida é uma infração. Eu achava que economizava combustível”, conta ela.

Esse curso online e gratuito é uma facilidade do novo processo. Anteriormente, além de custar em média R$ 300 (dependendo do estado), só poderia ser feito presencialmente. 

Em seguida, Liziane agendou pelo aplicativo os exames médico e psicotécnico, a biometria e a prova teórica, realizados todos presencialmente na autoridade de trânsito de cada município.

Chegou, então, a hora das aulas práticas. Até o fim do ano passado, mesmo quem sabia dirigir precisava ir a uma autoescola e pagar por uma carga horária mínima de 20 horas de aulas práticas.

Com a CNH do Brasil, o mínimo exigido, agora, são duas horas de aulas práticas. E não é mais obrigatório contratar uma autoescola. O cidadão pode escolher entre uma autoescola e um instrutor autônomo credenciado. A lista dos profissionais aparece no aplicativo. Por último, o candidato a motorista faz o exame prático e, se passar, estará habilitado.

Liziane gastou, ao todo, cerca de R$ 500, incluindo as taxas de exames, das provas e das duas aulas que fez, com instrutor autônomo, uma vez que ela já sabia dirigir e só precisava de orientação sobre os carros automáticos. Os preços variam de estado para estado.

Renata Martins, de 30 anos, professora de dança de São Paulo (SP), renovou sua CNH recentemente e gastou R$ 300. “Há nove anos, quando fiz autoescola e o exame para tirar a CNH pela primeira vez, lembro que dei meu 13º salário todinho para conseguir a carteira. Foram mais de R$ 3 mil”, recorda a professora.. 

Esse valor variava de estado para estado. Os gaúchos eram os que pagavam mais, com custo médio de R$ 4.951,35, para a categoria AB (moto e carro). Na sequência, vinha o Mato Grosso do Sul, com o valor de R$ 4.477,95, e Santa Catarina, por R$ 3.906,90, segundo a Senatran.

Ou seja, o novo sistema gera uma economia de 80%, em média. “Ainda bem que o preço caiu. Não fazia sentido pagar tão caro para ter um documento”, lembra Renata. 

Mais segurança

O alto custo e a burocracia, além da falta de processos digitalizados, afastavam mais da metade da população da habilitação. Até o ano passado, 54% dos brasileiros acima de 18 anos não tinha habilitação e, mesmo assim, parte deles pilotava irregularmente, conforme dados do Ministério dos Transportes. 

É por isso que o novo sistema é considerado mais seguro que o anterior. Ao abrir a possibilidade dessas pessoas se habilitarem, elas aprendem, como Liziane, regras de trânsito que antes ignoravam. Além disso, ao dirigir sem CNH, esses motoristas não eram punidos quando cometiam infrações (só o veículo era multado, e não o condutor). 

Isso, entretanto, não quer dizer que motoristas menos preparados serão aprovados na habilitação. O rigor do exame continua o mesmo. Em alguns estados, a baliza (o procedimento para estacionar entre dois veículos ou dois obstáculos) deixou de ser uma etapa obrigatória e eliminatória no exame prático. Isso acontece, por exemplo, em São Paulo, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, que seguem as novas diretrizes da Senatran. Mas a habilidade de estacionar continua sendo verificada, só não é mais o ponto mais temido do exame. Agora, a circulação real no trânsito conta mais pontos. 

Oportunidade profissional

Outra novidade do processo é que ele gera oportunidade de emprego para quem quer se tornar um instrutor profissional autônomo. “Eu era funcionário registrado de uma autoescola desde 2013. Em março desse ano pedi demissão e comecei a atuar como autônomo”, conta Danilo Freitas de Sousa, de 39 anos, de Várzea Alegre (CE). Seu rendimento mensal, que era de R$ 1,3 mil, agora está passando de R$ 2 mil. 

Freitas se cadastrou no aplicativo para tornar-se instrutor. As exigências são ter mais de 21 anos, CNH válida há pelo menos dois anos sem infrações graves ou gravíssimas recentes. Também é necessário ter ensino médio completo e fazer o curso de instrutor de trânsito, que é 100% online e gratuito no mesmo aplicativo da CNH. É possível fazer o curso em poucas horas. Mas é crucial ser aprovado em um teste final no Detran de cada localidade. 

As aulas com os alunos são feitas em via fechada em circuito particular, como um condomínio. Em algumas cidades, é possível realizar as aulas nas dependências da autoridade de trânsito local. É o caso de Uilliam Lima, que é vistoriador do departamento de trânsito de Tobias Barreto (SE). Ele continua na mesma profissão, mas se tornou instrutor autônomo recentemente para complementar sua renda. “Cobro de R$ 100 a R$ 120 a aula. Pode ser no meu carro ou no do aluno”, conta ele. O agendamento é feito pelo aluno, por meio do próprio aplicativo da CNH.

Helena Nascimento, de Vitória (ES), também se cadastrou. Ela foi instrutora por anos, na autoescola do pai, que faleceu há 17 anos. Desde então, ela dava aulas apenas para habilitados. “Com o novo credenciamento, também terei licença para ensinar pessoas não habilitadas”, conta. Ou seja, no fim das contas, o novo processo de emissão da CNH é bom para o motorista e para o profissional de instrução de direção.

A abertura para instrutores autônomos e a flexibilização das exigências alteram a dinâmica tradicional do setor, antes concentrado nas autoescolas. A mudança tende a ampliar o acesso à habilitação e gerar novas fontes de renda, mas também levanta debates sobre fiscalização, qualidade da formação e padronização da formação.

[Conteúdo produzido com apoio do Governo do Brasil.]

Editado por: Geisa Marques

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