Nesta terça-feira (5), lideranças sindicais e trabalhadores de diversos setores realizaram um ato em frente ao Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). A mobilização ocorre no dia da instalação da comissão que tratará do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
Para o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, a data representa um marco no calendário de lutas do movimento sindical. Ele destacou que a presença dos trabalhadores no Congresso Nacional será constante para pressionar os parlamentares.
“Hoje é um dia muito especial porque é a instalação da comissão mista que vai tratar do tema do fim da escala 6×1. Nós, do movimento sindical, determinamos que a semana toda teremos gente aqui na porta do Congresso Nacional fazendo trabalho de convencimento dos deputados e dos senadores”, afirmou.
O dirigente ressaltou que a estratégia de mobilização não se limitará à capital federal, prevendo um trabalho em conjunto nos estados para conquistar o quórum necessário para a aprovação da matéria. Segundo ele, o objetivo é conquistar os 308 votos necessários para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no plenário. A previsão é que a matéria seja votada até o dia 27 de maio.
“Reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais e assegurar dois dias de descanso com o fim da escala 6×1 é uma conquista histórica”, afirmou Nobre. Ele também vinculou a mobilização à defesa da regulamentação da negociação coletiva para servidores públicos, prevista na Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Exaustão
O tom de denúncia contra o esgotamento físico e mental marcou as falas de quem vive o cotidiano do comércio e dos serviços. Thiago Bittencourt Neves, secretário de juventude da CUT e comerciário, descreveu o peso do atual modelo de trabalho no Brasil.
“Essa escala exaustiva, essa escala que causa doença do trabalho, exaustão. E o trabalhador não tem qualidade de vida. A gente vive uma escravidão legalizada no país”, denunciou.
Segundo o dirigente, a luta vai além dos números, tratando-se de um direito à vida plena fora do ambiente de trabalho. “Nós do comércio pedimos [a escala 5×2], porque nós merecemos e nós precisamos dessa escala para ter mais tempo para a família, para ter mais tempo para o bem-estar, para a gente viver além do trabalho”, completou.

O diretor do Sindicato dos Comerciários do Distrito Federal (Sindicom-DF) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs-CUT), Luiz Saraiva, reforçou que a mobilização exige o fim da escala 6×1 sem que isso signifique perdas salariais ou de direitos já conquistados.
“Sem redução de salários, sem corte nos direitos e com redução da jornada de trabalho para 40 horas já, porque o trabalhador está cansado de ser escravizado. Essa jornada 6×1 acaba com a vida do trabalhador e da trabalhadora. Nós precisamos descansar, nós precisamos ter vida, não só trabalhar, nós precisamos também viver”, declarou.
Mães e trabalhadoras
A mobilização também deu visibilidade à sobrecarga das mulheres, que enfrentam a dupla jornada e sofrem com a falta de tempo para o descanso e para a vida familiar. Neides Pacheco de Souza, trabalhadora do comércio, comentou o sentimento de esgotamento de muitas brasileiras.
“Eu estou cansada de uma jornada exaustiva como mulher, como mãe, como trabalhadora. Chega de trabalho escravo. Queremos 5×2 já!”, protestou.
Girlane Souza da Cunha, do Sindicom-DF, enfatizou que o lazer é uma necessidade básica que está sendo negada pela escala de seis dias de trabalho ininterruptos. “Nós estamos aqui pelo fim da escala 6×1, porque nós queremos ter, após o trabalho, lazer com a nossa família, com os nossos amigos”, afirmou.
Enquanto o Projeto de Lei enviado pelo governo federal foca na redução para 40 horas semanais em regime de urgência, as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) em debate buscam mudanças estruturais, como a jornada de 36 horas ou a semana de quatro dias. A pressão das ruas deve ditar o ritmo das negociações nas próximas três semanas, consideradas decisivas pelas lideranças.
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