'Cínico e hipócrita'

Cuba classifica bloqueios econômico e energético dos EUA como ‘crimes internacionais’ e alerta sobre ameaças militares

Trump amplia as sanções à ilha, enquanto o secretário Marco Rubio nega o bloqueio de petróleo à ilha

Uma mulher espreita pela porta de sua casa ao lado de um muro com um grafite escrito "CUBA" em uma rua de Havana, Cuba, em 6 de maio de 2026.
Uma mulher na porta de sua casa em uma rua de Havana. | Crédito: Yamil Lage/AFP

Enquanto Washington aumenta suas ameaças de um possível ataque militar contra Cuba, Havana classifica como “crimes internacionais” o bloqueio de petróleo imposto e as ameaças feitas pela administração Trump.

“Tanto o bloqueio econômico e energético quanto as novas medidas coercitivas extraterritoriais, assim como a ameaça e a própria agressão militar, são crimes internacionais”, afirmou o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, por meio de suas redes sociais.

Rodríguez qualificou como “cínico e hipócrita” o fato de os Estados Unidos insistirem em insinuar uma ação militar contra Cuba, alegando que “o país está devastado e seria uma honra libertá-lo”, quando foram os sucessivos governos dos EUA que “tentaram, durante décadas, devastar o país impondo uma guerra econômica”.

Além disso, o ministro lembrou que a atual administração Trump “atuou com ainda mais zelo nos últimos dois meses” por meio de medidas que classificou como “genocidas”.

“Não há bloqueio de petróleo a Cuba”, diz Marco Rubio

As declarações do chanceler cubano ocorrem depois de que, na terça-feira (5), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou que Washington esteja impondo um bloqueio energético contra Cuba.

“Não há um bloqueio de petróleo a Cuba ‘per se’”, assegurou à imprensa. Sem apresentar provas, acrescentou que o país caribenho “costumava receber petróleo grátis da Venezuela”, que depois “revendia”.

“O único bloqueio que existe é que os venezuelanos decidiram que não darão mais petróleo grátis”, concluiu.

Diante dessas afirmações, o chanceler cubano apontou que Rubio “simplesmente optou por mentir”.

“Há algumas horas, o secretário de Estado afirmou que não existe um bloqueio de petróleo a Cuba. Simplesmente optou por mentir, contradizendo o presidente e a porta-voz da Casa Branca”, escreveu Bruno Rodríguez nas redes sociais, explicando que, nos últimos quatro meses, “apenas um navio de combustíveis chegou a Cuba”.

“Intimida-se e ameaça-se todos os nossos fornecedores, em violação às normas de livre comércio e liberdade de navegação. O secretário sabe muito bem o dano e o sofrimento que o cerco de petróleo criminoso, que ele mesmo propôs ao seu presidente, causa hoje ao povo cubano”, acrescentou.

Intensificar o bloqueio

Na última sexta-feira (1), a Casa Branca emitiu uma nova ordem executiva que introduz sanções adicionais contra Cuba, com o objetivo de exercer maior pressão sobre o Estado cubano.

A medida amplia as restrições coercitivas unilaterais já existentes a qualquer pessoa, empresa ou entidade não americana que mantenha relações comerciais com Cuba, especialmente nos setores de energia, defesa, segurança e finanças.

Essa ação se soma à asfixia energética que Washington mantém contra Cuba desde o final de janeiro, quando a Casa Branca emitiu outra ordem executiva que ameaça sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo” à ilha. A medida foi qualificada por especialistas em direitos humanos da Organização Nações Unidas (ONU) como “uma grave violação do direito internacional” que poderia ser considerada uma “punição coletiva”.

Desde então, diversos funcionários do governo dos EUA, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, declararam publicamente que o aumento do bloqueio tem como objetivo obrigar Cuba a transformar seu sistema econômico e político.

Embora Washington e Havana tenham confirmado ter mantido diálogos nas últimas semanas, as autoridades cubanas reiteraram em diversas ocasiões que questões ligadas à soberania do país — como suas políticas econômicas ou seu modelo político — estão fora de discussão, assegurando que apenas o povo cubano tem direito a debater sobre esses temas.

Nos últimos dias, as ameaças se intensificaram, com o próprio presidente Trump afirmando que sua administração “tomará controle de Cuba” e que, uma vez finalizada a guerra com o Irã, os Estados Unidos poderiam realizar uma incursão militar na ilha.

Editado por: Luís Indriunas

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