EDUCAÇÃO POPULAR

Cursinho popular inicia aulas no Armazém do Campo DF com foco no acesso à universidade

Projeto gratuito atende jovens e adultos de periferia; aulas terão início no dia 12 de maio

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Estudantes e equipe pedagógica participaram do aulão inaugural realizado no Setor Comercial Sul.
Estudantes e equipe pedagógica participaram do aulão inaugural realizado no Setor Comercial Sul. | Crédito: Marla Galdino

O Armazém do Campo DF, localizado no Setor Comercial Sul, recebeu na quarta-feira (6) o aulão inaugural do Cursinho Popular Neuza Campos. O projeto marca uma nova etapa para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sendo a primeira experiência de cursinho pré-vestibular em parceria com a rede de lojas.

A iniciativa busca aproximar campo e cidade por meio da educação popular, oferecendo formação crítica e preparação para estudantes que desejam ingressar no ensino superior. A proposta defende o acesso à educação de qualidade como um direito e reforça a relação entre a luta pela reforma agrária e a produção de conhecimento.

Segundo Tatiana Brandão, coordenadora do Armazém do Campo e educadora popular, o espaço foi pensado para acolher diferentes perfis de estudantes, desde jovens recém-saídos do ensino médio até adultos que desejam retomar os estudos.

“O cursinho é para todo mundo, para gente que está se formando no ensino médio, para quem já se formou ou para quem está há muito tempo longe da escola e quer retomar os estudos para acessar a universidade pública ou fazer uma segunda faculdade”, afirmou.

As aulas regulares terão início no dia 12 de maio e seguem até a primeira semana de dezembro, com foco nos conteúdos cobrados pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares tradicionais. Atualmente, o projeto conta com 30 estudantes matriculados para um total de 40 vagas. As inscrições serão reabertas no dia 25 de maio pelas redes sociais do Armazém do Campo (neste link).

Educação como transformação

Adonilton Rodrigues, da coordenação nacional do MST, destacou que a educação sempre esteve presente na trajetória do movimento e nas disputas por direitos. “É muito importante essa luta pela educação, porque nós lutamos por reforma agrária e por terra, então também vamos lutar pelo direito de estudar em todos os níveis”, destacou.

Ele explica que o MST também constrói parcerias com universidades e programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), ampliando o acesso da população trabalhadora aos espaços acadêmicos.

“Estamos atendendo pessoas que muitas vezes não conseguem estudar por falta de condições financeiras. Com essa iniciativa gratuita, elas passam a ter acesso à preparação para o ensino superior”, destacou.

O projeto conta ainda com apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação. O órgão coordena uma rede nacional de cursinhos populares que reúne mais de mil turmas apoiadas pelo governo federal em todo o país.

Além da preparação acadêmica, o cursinho oferece suporte psicossocial aos estudantes. A ação é coordenada pela psicóloga e educadora popular Geysy Ferreira Boaventura, que defende a saúde mental como parte do acesso a direitos básicos e da construção de perspectivas de futuro.

“O cursinho se mostra como um espaço não só de transformação através da educação, mas também de socialização e partilha. É necessário potencializar a saúde mental, que não é apenas algo psicológico, mas também o acesso a direitos e a possibilidade de sonhar outros mundos”, avaliou.

Atividade destacou a importância do acolhimento e da saúde mental na trajetória educacional. Crédito: Marla Galdino

Juventude periférica 

Entre os estudantes presentes, o cursinho é visto como uma oportunidade de enfrentar as desigualdades históricas do ensino público brasileiro. Isabela Teixeira, de 20 anos, moradora do Sol Nascente, sonha em cursar enfermagem em uma universidade federal e relata as dificuldades enfrentadas por quem vem da periferia.

“Estudei a vida toda em escola pública, então é mais difícil para a gente entrar na universidade. As escolas públicas no Brasil ainda são muito precárias e falta esse tipo de oportunidade”, relatou.

A questão financeira também aparece como uma barreira para o acesso ao ensino superior. Naiara de Oliveira, de 21 anos e moradora de Planaltina, afirma que os altos custos dos cursinhos privados acabam excluindo estudantes de baixa renda.

“É muito importante, porque muitas pessoas de baixa renda nem sabem que existem esses cursos, porque eles não chegam para toda a população. Nem todo mundo tem condições de pagar um cursinho super caro”, declarou.

Inspirado na metodologia de Paulo Freire, o Cursinho Popular Neuza Campos propõe uma formação que vai além da preparação técnica para provas. A ideia é construir um processo coletivo de aprendizagem, no qual o conhecimento acadêmico esteja ligado à consciência social e à transformação da realidade da juventude trabalhadora.


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Editado por: Clivia Mesquita

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