O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7) que a longa reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi “muito produtiva” e incluiu temas como o combate ao crime organizado, tarifas comerciais e a exploração de minerais críticos. O encontro foi realizado na tarde desta quinta na capital dos EUA, Washington.
“Eu saio muito, muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos. Eu sempre acho que a fotografia vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que de cara feia?”, declarou Lula em coletiva de imprensa posterior na embaixada do Brasil em Washington.
Lula afirmou que um bom diálogo entre as duas maiores democracias do hemisfério é bom exemplo para o mundo. O brasileiro afirmou que o país está aberto ao interesse dos EUA, mas “é preciso que os EUA voltem a se interessar pelo Brasil. Quando fazemos licitações, só temos chineses, não americanos.”
O presidente disse que a classificação de facções como terroristas não foi discutida, mas sugeriu a criação de um grupo de trabalho envolvendo todos os países da América Latina para combater o crime organizado. “Para deixar de plantar o que chamam de droga, é preciso que existam alternativas econômicas”, afirmou. Pouco antes, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que conversou com o governo estadunidense sobre a necessidade de atuar em duas frentes: as aduanas dos dois países e a asfixia aos recursos financeiros do crime organizado.
Lula disse que o tema dos minerais críticos foi discutido de forma produtiva. Após destacar a aprovação pela Câmara, no dia anterior, de lei que dá maior controle estatal sobre as terras raras, o presidente afirmou que os EUA podem se beneficiar dos recursos do subsolo brasileiro. “Não temos preferência, qualquer um pode explorar, desde que faça investimentos”, disse Lula. “Hoje conhecemos 30% do nosso território, agora precisamos passar a conhecer 100%.”
Um dos únicos temas em que houve discórdia foi o do comércio entre os países. Para superar o impasse, Lula disse que sugeriu a criação de um grupo de trabalho entre representantes brasileiros e estadunidenses para estabelecer uma visão comum sobre o assunto.
“O GT teria a obrigação de concluir seus trabalhos em 30 dias. Quem estiver errado, que ceda”, disse o presidente, que afirmou ter esperança de que as tarifas estadunidenses sobre importações brasileiras sejam retiradas.
Cuba
Perguntado se discutiu com Trump a situação cubana, Lula disse “ter ficado com a impressão de que ele disse que não pensa em invadir Cuba”. O brasileiro, no entanto, ressaltou que isso foi o que entendeu da tradução simultânea.
O presidente também afirmou que “para Trump, a guerra do Irã acabou” e destacou ser frontalmente contrário às guerras, preferindo sempre o caminho da diplomacia. Ele descartou ainda que Trump poderá interferir nas eleições brasileiras de outubro, nas quais buscará um quarto mandato.
“Eu não acredito que [Trump] terá qualquer influência nas eleições brasileiras. Até porque quem vota é o povo brasileiro. E eu acho que ele vai se comportar como um presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida o seu destino”, afirmou Lula.
O encontro durou bem mais do que o planejado, levando ao cancelamento da coletiva de imprensa prevista com os dois líderes. Trump se mostrou satisfeito com a reunião com Lula, a quem classificou como “muito dinâmico”.
