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Espetáculo ‘Metamorfose Musicado’, em cartaz no centro de SP, propõe reflexão sobre opressão e transformação coletiva

Peça perpassa temas como fome, alienação política e sobrevivência em meio às desigualdades sociais

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Costurado por músicas emblemáticas e textos inspirados em reflexões críticas, a obra mergulha em tempos sombrios, onde o absurdo se torna cotidiano e a injustiça se naturaliza
Costurado por músicas emblemáticas e textos inspirados em reflexões críticas, a obra mergulha em tempos sombrios, onde o absurdo se torna cotidiano e a injustiça se naturaliza | Crédito: Divulgação

Em meio a disputas, silêncios e explosões de violência, o espetáculo “Metamorfose Musicado” constrói um retrato de uma sociedade atravessada pela desigualdade, pela escassez e pela indiferença diante da dor coletiva. 

A peça, que está em cartaz no Teatro Paiol Cultural, no centro de São Paulo (SP), mistura música, crítica social e cenas fragmentadas para refletir sobre um tempo em que o absurdo e a injustiça passam a ser tratados como parte da normalidade. 

Segundo Luísa Garbez, representante da peça, o projeto é um processo de reflexão e foi pensado para quem gosta de receber um conteúdo impactante. “Tem aquela sensação de sair um pouco fora de órbita, então tem cenas fortes”, disse ela ao programa É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, nesta sexta-feira (8).

Ela explica que a classificação de 16 anos se deve a essa reflexão e ao texto forte construído de forma colaborativa com experiências pessoais do elenco, contando com a direção de Ton Zaus. O espetáculo tem trilha sonora de Raul Seixas. “A gente sabe que é um artista excepcional, atemporal, que fala bastante também da crítica social”, diz. “Conseguindo costurar as músicas do Raul com a narrativa da construção desse roteiro que está incrível, está bem forte, é um momento mesmo de reflexão, as pessoas até se identificam um pouco com a situação ali.”

A montagem perpassa temas como fome, alienação política, fé, família e sobrevivência, onde os personagens transitam por relações marcadas pela disputa de poder e pela dificuldade de enxergar o outro. 

Inspirado em reflexões críticas sobre a realidade contemporânea, o espetáculo também aponta para a possibilidade de transformação coletiva e provoca o público a questionar estruturas naturalizadas e pensar sobre o papel de cada pessoa diante das violências do presente. 

Bella Peres, também representante da peça, acredita que “a esperança e a desesperança andam sempre lado a lado” e que é preciso ter esperança para viver os momentos de desesperança. 

Ela comenta que o espetáculo fala muito sobre isso e chega a ser triste acompanhar os acontecimentos, fazendo um paralelo com o período da pandemia onde se viveram tempos desesperançosos. 

“As pessoas estão preocupadas como não acontecer de novo. Como que a gente evita isso de novo?”, questiona Bela. Para ela, é nesses momentos que se deve procurar a esperança para evitar que coisas ruins do passado se repitam.

O espetáculo fica em cartaz entre os dias 10 e 31 de maio, com sessões aos domingos, às 17h, no Teatro Paiol Cultural, no centro de São Paulo. O espaço está localizado na rua Amaral Gurgel, 164 – Santa Cecília (próximo ao metrô). Os ingressos custam entre R$ 20 e R$ 60 e podem ser adquiridos no site da plataforma Sympla.

* Lugar de Memória – Observatório Cultural é uma plataforma gratuita e de fácil acesso, dedicada ao registro, à difusão e à valorização da memória, da identidade e do patrimônio cultural material e imaterial da região central de São Paulo.

Editado por: Thaís Ferraz

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