Baques e Imagens

Maracatu ganha mostra inédita no Paço do Frevo a partir desta sexta-feira (8), no Bairro do Recife

Projeto investiga o maracatu sob a ótica da antropologia visual, com 40 fotografias e outros materiais

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Exposição conta com obras de Lula Cardoso Ayres, Katarina Real, Fred Jordão e July P.
Exposição conta com obras de Lula Cardoso Ayres, Katarina Real, Fred Jordão e July P. | Crédito: Paço do Frevo/Divulgação

A exposição “Maracatu – Antropologia Visual” será inaugurada nesta sexta (8), às 19 horas, no Paço do Frevo, localizado no Bairro do Recife, com acesso gratuito na noite de abertura e apresentações do Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife e do Maracatu de Baque Solto Cruzeiro do Forte. A visitação segue de terça a sexta, das 10 horas às 18 horas, e aos sábados e domingos, das 11 horas às 19 horas, com ingressos a R$ 10 e R$ 5, além de gratuidade às terças-feiras.

A mostra temporária reúne 40 fotografias que exploram o maracatu sob a perspectiva da antropologia visual, campo que investiga práticas sociais por meio de imagens. O acervo propõe um diálogo entre diferentes gerações e olhares, com trabalhos do artista Lula Cardoso Ayres, da antropóloga Katarina Real, do fotógrafo Fred Jordão e do cineasta July P., sob curadoria e design de Augusto Lins Soares.

Além das fotografias, o público poderá conferir vídeos, obras de arte, capas de discos, publicações e indumentárias relacionadas ao universo do maracatu. Entre os conteúdos apresentados estão registros sobre figuras emblemáticas como Dona Santa, Mestre Salustiano e o movimento musical Chico Science & Nação Zumbi, ampliando a compreensão histórica e estética dessa manifestação cultural.

A exposição contempla tanto o maracatu de baque virado quanto o de baque solto, evidenciando suas dimensões simbólicas, religiosas e performáticas. Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2014, o maracatu tem origem no século 19 e reúne música, dança e elementos do sincretismo religioso, sendo uma das expressões mais representativas da identidade cultural pernambucana.

Os fotógrafos presentes na mostra têm trajetórias marcadas pelo interesse nas culturas populares. Lula Cardoso Ayres destacou-se como artista multifacetado, com produção voltada às manifestações tradicionais. Katarina Real, pesquisadora norte-americana, dedicou-se ao estudo das influências africanas na cultura nordestina, registrando práticas populares a partir de sua chegada ao Recife, em 1957. Fred Jordão construiu carreira no fotojornalismo e na documentação cultural, enquanto July P. desenvolve uma pesquisa visual que tensiona as formas de visibilidade a partir de experiências de corpos dissidentes.

O Paço do Frevo, equipamento cultural da Prefeitura do Recife, é reconhecido como centro de referência na preservação e difusão do frevo, patrimônio imaterial da humanidade. O espaço atua nas áreas de pesquisa, formação e valorização das manifestações culturais populares, fortalecendo a memória e a produção artística do estado.

Editado por: Rostand Tiago

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