Jovenel Moïse

Condenação de assassinos do ex-presidente do Haiti não encerra caso, analisa correspondente do Brasil de Fato

Cha Dafol afirma que mandantes ainda não foram identificados e caso tem muitas ramificações

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President Jovenel Moise sits at the Presidential Palace during an interview with AFP in Port-au-Prince, October 22, 2019. - Haitians fed up with poverty and miserable living conditions call him corrupt and incompetent, and want him to resign. But in an interview with AFP President Jovenel Moise is evasive about yielding and offers only vague ideas for making things better for his countrymen. The poorest country in the Americas has been roiled for two months by violent protests that were triggered by fuel shortages.They have now morphed into a broader campaign against the president, who come to power in 2017 in an election that some called fraudulent. (Photo by Valerie Baeriswyl / AFP)
Jovenel Moise em 2021; ex-presidente do Haiti foi assassinado | Crédito: Valerie Baeriswyl/AFP

Quatro homens do sul da Flórida (EUA) foram condenados na sexta-feira (8) por assassinar o então presidente haitiano Jovenel Moïse em 2021, aos 53 anos. Arcángel Pretel Ortiz, Antonio Intriago, Walter Veintemilla e James Solages foram condenados por conspiração para matar e sequestrar uma pessoa fora dos Estados Unidos.

Moïse foi morto a tiros em sua própria residência, na capital Porto Príncipe. Desde o ocorrido, o país vive uma crise política que fortaleceu o surgimento de gangues, atualmente responsáveis por uma explosão de violência na nação.

Em sua participação semanal no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Cha Dafol, correspondente do BdF no Haiti, afirma que a condenação dos quatro envolvidos já era esperada e falta ainda saber quem foi ou foram os mandantes do assassinato. “Tem um pouco essa sensação de que a justiça americana teria interesse em jogar toda a culpa em cima deles, enquanto esse caso tem ramificações muito maiores do que isso. Eles nem teriam grande motivo para serem os principais mandantes do crime, porque não é pouca coisa se mandar matar um presidente da República de um outro país, inclusive. Dos quatro, só um é haitiano. Tem um venezuelano, um colombiano, um equatoriano, um haitiano e dois que tem a dupla cidadania com Estados Unidos”, diz.

Dafol conta que o processo se arrasta há anos e, antes dessas sentenças, outros cinco réus já haviam sido condenados. “Só esse processo teve uma relatoria de mais de 900 páginas com 40 testemunhos escutados, mais 50 outros suspeitos citados. A gente está falando de um caso muito grande e tem uma questão muito importante também: o julgamento foi realizado na Flórida, mas o assassinato aconteceu no Haiti. Então, a gente está esperando também a Justiça [haitiana] fazer o seu trabalho, mas na situação atual do país, isso isso está sendo bem complicado”, afirma.

A correspondente destaca que o Haiti se encontra hoje em uma grave crise institucional, o que impediria a realização de um processo dessa importância no país. “As instituições não estão funcionando bem, inclusive a Justiça. Não teria condições de fazer um processo como este. É algo que demanda tempo e instituições funcionando corretamente. E também a gente está falando do assassinato de um presidente da República, muito provavelmente por pessoas que queriam tomar o lugar dele ou então colocar outra pessoa no lugar dele. A gente está falando de um crime que envolve a elite, e não só a elite, mas as cabeças do Estado haitiano”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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