As eleições de 2026 vão definir o futuro presidente do Brasil. Mas não só. Os eleitores vão escolher seus governadores e os representantes das casas legislativas estaduais e do Congresso Nacional.
Em um país de proporções continentais, há inúmeras dinâmicas políticas e demandas populares. Por isso, o programa É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, iniciou nesta segunda-feira (11) uma série de entrevistas que busca destrinchar os cenários estaduais do pleito deste ano. O programa irá receber analistas e cientistas políticos para falar sobre alianças locais, temas em disputa e desempenho dos candidatos presidenciais em cada região do país.
O primeiro estado a ser analisado é a Bahia, onde o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), busca a reeleição. O principal oponente é ACM Neto (União Brasil). As recentes pesquisas de intenção de voto mostram os candidatos em empate técnico no primeiro e no segundo turno. Rodrigues aparece com bom indíce de aprovação, cerca de 56%.
Segundo o cientista político Cláudio André de Souza, professor de Ciência Política na Universidade da Integração Internacional da Lusofânia Afrobrasileira (Unilab), a Bahia tem uma tradição forte do carlismo, atualmente representado por ACM Neto, mas há uma penetração lulista em cidades pequenas — prova disso foram as eleições de 2022. Souza destaca que o grande desafio para o atual governador é o voto das grandes cidades.
“O eleitor das grandes cidades ainda é muito crítico quanto à segurança pública, quanto à saúde, quanto à questão de emprego. É um eleitor, em tese, mais crítico, que historicamente votou com o carlismo, é um eleitor carlista. Jerônimo e o PT perdem nas grandes cidades, perdeu em 2022, mas ganhou no território, naquelas cidades menores. É um perfil de comportamento eleitoral muito interessante. A gente tem um desafio do governo defender as suas entregas e, portanto, as realizações para as grandes cidades e o quanto ele vai conseguir pilotar junto aos prefeitos, aos vereadores, às lideranças locais, as demais entregas, visitas e ações que podem chegar a um eleitor que acompanha a política mais tardiamente”, analisa.
Avaliando o cenário de empate técnico, Souza diz que as chances de Rodrigues são boas. “O eleitor da pequena cidade está preocupado em trabalhar, em olhar o que é que o prefeito está dizendo, o vereador, ele vai demorando um pouco mais para se engajar nesse processo eleitoral. E foi exatamente o que aconteceu com Jerônimo [em 2022]. A virada eleitoral se deu exatamente na reta final. Em um cenário no qual ele [Jerônimo Rodrigues] aparece com empate técnico em abril, eu entendo que o seu potencial de voto, diante dessa predição que é o lulismo, a chance dele vencer é algumas casas à frente, comparado a ACM Neto”, afirma.
Souza defende que existe atualmente um lulismo baiano e a prova disso é o desempenho de figuras como Jacques Wagner e Rui Costa. “Isso se deu pela grandiosidade que foi a chegada de Jaques Wagner, naquela vitória improvável de 2006. Ele passa inclusive a deslocar esse poder de governança também para o interior e, dentro de uma construção política muito hábil, criar um diálogo mais próximo do que a gente pode chamar do pós-carlismo, de lideranças locais que viveram muito tempo no carlismo e precisaram se reacomodar na política baiana. Depois dessa transição para o novo projeto democrático de desenvolvimento da Bahia, com muita ação nas áreas de saneamento, infraestrutura, energia, emprego, grandes projetos, a gente passou a ter essa imagem do Rui Costa como um grande gestor. É bom lembrar que Rui Costa foi governador em um período de baixa do PT e de uma conjuntura muito difícil. Ele foi eleito em 2014 e reeleito em 2018. Ele não contou ali com o cenário político mais favorável. E apesar de tudo isso, ele sai com uma aprovação gigantesca, porque a eleição de 2018 foi a eleição que ele venceu com mais de 75% na Bahia”, pontua.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
