Solidariedade

México anuncia novo envio de navio com ajuda humanitária a Cuba em meio ao bloqueio dos EUA

Presidenta Claudia Sheinbaum afirmou que país não está e nunca estará de acordo com medida estadunidense

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, gesticula enquanto fala durante sua coletiva de imprensa diária no Palácio Nacional na Cidade do México, em 30 de abril de 2026.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, gesticula enquanto fala durante sua coletiva de imprensa diária no Palácio Nacional na Cidade do México, em 30 de abril de 2026 | Crédito: Yuri Cortez/AFP

O México enviou nesta segunda-feira (11) um navio com ajuda humanitária para Cuba, que enfrenta uma grave crise devido à asfixia energética e ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. “O México sempre será fraterno e solidário com todas as nações do mundo, especialmente com Cuba”, afirmou a presidenta Claudia Sheinbaum durante o anúncio.

Durante sua habitual coletiva de imprensa, a “Mañanera do Povo”, a mandatária foi questionada sobre as ações que o México poderia tomar diante da intensificação do bloqueio contra Cuba, anunciada na semana passada pelo governo dos EUA.

Em resposta, Sheinbaum afirmou que o México defende o princípio da autodeterminação dos povos, pelo qual o país sempre se opôs ao bloqueio imposto por Washington.

“Não concordamos e nunca vamos concordar, desde o primeiro momento em 1962, quando o bloqueio a Cuba foi proposto. Continuaremos enviando ajuda humanitária a um povo que precisa dela”, afirmou.

Além disso, a mandatária explicou que, por enquanto, Cuba recebeu petróleo da Rússia, e por isso a ajuda do governo mexicano ao povo cubano está sendo direcionada “a outros apoios fundamentais”.

No final de janeiro, o governo de Donald Trump impôs uma política de asfixia energética, ameaçando sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo a Cuba”. Essas medidas coercitivas unilaterais visam provocar o colapso do Estado cubano para forçar uma “mudança de regime”.

Desde então, as dificuldades econômicas da população cubana se intensificaram. A falta de energia obrigou a reduzir o funcionamento dos serviços públicos, enquanto os cortes prolongados de eletricidade chegam, em alguns locais, a mais de 12 horas diárias.

A impossibilidade de importar combustível afeta todos os setores produtivos: a produção de alimentos, já comprometida, enfrenta dificuldades para manter a irrigação; o transporte para as cidades ficou mais caro; e as indústrias não podem funcionar normalmente devido à falta de energia. As universidades, por sua vez, tiveram que adotar modalidades a distância devido à mobilidade limitada de estudantes e professores.

A profunda escassez impactou drasticamente o sistema de saúde pública, obrigando as autoridades sanitárias a reduzir sua capacidade operacional quase exclusivamente à atenção de casos de urgência. Assim, foram paralisadas as intervenções cirúrgicas programadas, sendo realizadas apenas aquelas de caráter emergencial.

Segundo o Ministério da Saúde Pública de Cuba, acumulou-se uma lista de espera alarmante de 96.000 pacientes, entre os quais mais de 11.000 menores aguardam por cirurgias.

Em comunicado divulgado na última quinta-feira (7), especialistas em direitos humanos da ONU voltaram a advertir que a “privação energética imposta pelos Estados Unidos” gera “graves consequências” para os direitos humanos e o desenvolvimento da ilha.

Apesar do bloqueio e das pressões de Washington, o México manteve o envio constante de ajuda humanitária à ilha, com mais de 3.000 toneladas de alimentos, incluindo leite, feijão, arroz e outros produtos básicos.

As doações resultam de um esforço conjunto entre o Estado mexicano e campanhas de solidariedade cidadã, que mantêm centros de arrecadação para coletar suprimentos. Como demonstração do compromisso contra o bloqueio, a presidenta Claudia Sheinbaum doou pessoalmente 20.000 pesos cubanos (aproximadamente 5.500 reais).

Editado por: Thaís Ferraz

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