luta estudantil

‘PM transformou a reitoria numa câmara de gás’, denuncia diretora do DCE Livre da USP

Dany Oliveira critica nota da reitoria e fala em tentativa de deslegitimar o movimento de greve

No audio source provided.
Estudante sai do prédio da USP após policiais militares jogarem gás lacrimogênio
Estudante sai do prédio da USP após policiais militares jogarem gás lacrimogênio | Crédito: Guilherme Farpa/Divulgação/DCE

A mobilização dos estudantes por melhorias na Universidade de São Paulo (USP) continua e, na madrugada de domingo (10), a Polícia Militar realizou a reintegração de posse com truculência do prédio da reitoria ocupado pelos grevistas desde a última quinta-feira (7).

O DCE Livre da USP, em nota, acusa a PM de agir de forma truculenta, com a realização de um corredor polonês para violentar os manifestantes, além do uso de cacetetes e gás lacrimogêneo. A reitoria da USP alegou, em comunicado oficial, que não foi informada sobre a reintegração de posse e repudia qualquer tipo de violência.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Dany Oliveira, diretora do DCE Livre da USP, critica a reitoria da universidade e o governo do estado de São Paulo, que, segundo ela, tentam deslegitimar o movimento de greve e as reivindicações dos estudantes. “Eles dizem que querem defender a educação, mas, na nossa opinião hoje, os estudantes, juntos com a comunidade acadêmica, são os que mais têm defendido, de fato, concretamente, uma educação pública de qualidade para todos em todos os níveis. E não só o ingresso dessa juventude, mas a permanência dela também é fundamental, determinante”, defende. 

Oliveira destaca que, se a informação de que a reitoria foi pega de surpresa pela ação policial for verdadeira, é possível afirmar uma ingerência do governo Tarcísio de Freitas na instituição. “Se isso é verdade, na nossa opinião, isso comprova que o reitor perdeu completamente o controle da universidade que ele dirige. Como é possível que um reitor que foi eleito para dirigir uma das maiores universidades de São Paulo tenha os seus estudantes espancados, humilhados? O patrimônio, sim, depredado, que foi o que a polícia fez na entrada dela. Se ele não sabe, então ele perdeu o controle da universidade. Isso escancara que o interesse, não só da Universidade de São Paulo, mas de todas as outras universidades e instituições de ensino, é estar na situação em que se encontram hoje”, critica.

“Não é um projeto somente das diretorias das universidades ou da escola, mas existe um projeto superior que também tem imposto o que devem ser as universidades e que, na nossa opinião, tem a ver com o governo do estado”, afirma.

Dany Oliveira também detalhou a ação da polícia militar, que pegou os estudantes de surpresa, ainda de madrugada. “Uma boa parcela dos estudantes estava dormindo, eram umas 4h. Eles nos cercaram e começaram a transformar a reitoria numa câmara de gás. A opção que a gente teve foi pedir para eles pararem de tocar, tacar spray de pimenta e bomba e deixar a gente sair. Nós iríamos sair e aí eles decidiram fazer um corredor polonês para a gente passar. Então, muita gente tem perguntado quantas pessoas se machucaram: quase todas, porque todo mundo que teve que sair teve que passar pelo corredor polonês que eles fizeram”, relata.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

|

Newsletter