A mobilização dos estudantes por melhorias na Universidade de São Paulo (USP) continua e, na madrugada de domingo (10), a Polícia Militar realizou a reintegração de posse com truculência do prédio da reitoria ocupado pelos grevistas desde a última quinta-feira (7).
O DCE Livre da USP, em nota, acusa a PM de agir de forma truculenta, com a realização de um corredor polonês para violentar os manifestantes, além do uso de cacetetes e gás lacrimogêneo. A reitoria da USP alegou, em comunicado oficial, que não foi informada sobre a reintegração de posse e repudia qualquer tipo de violência.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Dany Oliveira, diretora do DCE Livre da USP, critica a reitoria da universidade e o governo do estado de São Paulo, que, segundo ela, tentam deslegitimar o movimento de greve e as reivindicações dos estudantes. “Eles dizem que querem defender a educação, mas, na nossa opinião hoje, os estudantes, juntos com a comunidade acadêmica, são os que mais têm defendido, de fato, concretamente, uma educação pública de qualidade para todos em todos os níveis. E não só o ingresso dessa juventude, mas a permanência dela também é fundamental, determinante”, defende.
Oliveira destaca que, se a informação de que a reitoria foi pega de surpresa pela ação policial for verdadeira, é possível afirmar uma ingerência do governo Tarcísio de Freitas na instituição. “Se isso é verdade, na nossa opinião, isso comprova que o reitor perdeu completamente o controle da universidade que ele dirige. Como é possível que um reitor que foi eleito para dirigir uma das maiores universidades de São Paulo tenha os seus estudantes espancados, humilhados? O patrimônio, sim, depredado, que foi o que a polícia fez na entrada dela. Se ele não sabe, então ele perdeu o controle da universidade. Isso escancara que o interesse, não só da Universidade de São Paulo, mas de todas as outras universidades e instituições de ensino, é estar na situação em que se encontram hoje”, critica.
“Não é um projeto somente das diretorias das universidades ou da escola, mas existe um projeto superior que também tem imposto o que devem ser as universidades e que, na nossa opinião, tem a ver com o governo do estado”, afirma.
Dany Oliveira também detalhou a ação da polícia militar, que pegou os estudantes de surpresa, ainda de madrugada. “Uma boa parcela dos estudantes estava dormindo, eram umas 4h. Eles nos cercaram e começaram a transformar a reitoria numa câmara de gás. A opção que a gente teve foi pedir para eles pararem de tocar, tacar spray de pimenta e bomba e deixar a gente sair. Nós iríamos sair e aí eles decidiram fazer um corredor polonês para a gente passar. Então, muita gente tem perguntado quantas pessoas se machucaram: quase todas, porque todo mundo que teve que sair teve que passar pelo corredor polonês que eles fizeram”, relata.
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