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China rebate acusação de Israel sobre apoio militar ao Irã: ‘Alegações sem base factual’

Pequim afirmou estar 'comprometida com a paz e a desescalada' da violência no Oriente Médio, contrariando Netanyahu

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Presidente do Irã Hassan Rouhani e Presidente da China Xi Jinping participam de cerimônia de boas vindas em Xangai, China, 22 de maio de 2014.
Presidente do Irã, Hassan Rouhani, e o presidente da China, Xi Jinping, participam de cerimônia de boas vindas em Xangai, em 22 de maio de 2014. | Crédito: Kenzaburo Fukuhara/AFP

A China rejeitou nesta terça-feira (12) as declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirmou em entrevista recente que Pequim estaria envolvida, de forma indireta, no fornecimento de componentes utilizados na fabricação de mísseis destinados ao Irã. O governo chinês classificou as acusações como “alegações sem base factual” e reafirmou sua posição de compromisso com a estabilidade regional.

Durante coletiva de imprensa regular, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o país “já se pronunciou muitas vezes sobre esse tipo de alegação” e reiterou que Pequim está “comprometida com a promoção da paz e a desescalada”.

“Como um grande país responsável, sempre cumprimos estritamente nossas obrigações internacionais, comprometemo-nos a interromper conflitos e promover a paz, e trabalhamos para a desescalada da situação. Nos opomos a acusações sem base factual”, declarou o porta-voz.

As declarações de Netanyahu ocorrem em um contexto de pressão contínua sobre o programa nuclear e militar iraniano. Em entrevista recente, o premiê israelense afirmou não estar satisfeito com o que descreveu como apoio chinês a determinados componentes utilizados no programa de mísseis iraniano.

A China, por sua vez, afirmou que cumpre rigorosamente suas obrigações internacionais relacionadas ao controle de exportações e rejeitou qualquer envolvimento em transferências militares ilegais. Pequim também destacou que o Irã é um importante fornecedor energético, com o qual mantém relações econômicas estratégicas, especialmente no setor de petróleo.

A China tem ampliado sua presença diplomática no Oriente Médio nos últimos anos, defendendo negociações e redução de tensões. Em 2023, o país mediou a reaproximação entre Irã e Arábia Saudita, movimento visto como marco da expansão do papel chinês na região e parte de sua defesa de uma ordem internacional multipolar.

O episódio também reflete a crescente disputa internacional em torno de componentes classificados como de “uso dual”, tecnologias com aplicações civis e potencial uso militar. Esse tipo de elemento ocupa posição central nas tensões envolvendo sanções, cadeias globais de fornecimento e restrições tecnológicas impostas ao Irã.

Em muitos casos, a rastreabilidade desses componentes é complexa devido à presença de intermediários comerciais e cadeias industriais distribuídas globalmente, o que alimenta disputas diplomáticas e acusações cruzadas entre potências.

Pequim busca manter uma posição de equilíbrio diplomático no Oriente Médio, preservando relações econômicas e políticas com diferentes atores regionais ao mesmo tempo em que tenta consolidar sua imagem internacional como defensora da estabilidade e da desescalada dos conflitos.

Relação entre China e Irã se aprofundou nos últimos anos

A relação entre China e Irã se intensificou nos últimos anos, especialmente nos setores de energia, infraestrutura e comércio, com destaque para o fluxo contínuo de petróleo iraniano para o mercado chinês, em grande parte realizado por meio de mecanismos de intermediação diante do regime de sanções internacionais.

Em 2021, os dois países firmaram um acordo de cooperação estratégica de longo prazo com duração de 25 anos, que prevê ampliação de investimentos chineses em áreas como energia, transporte e logística, além de maior integração no marco da Iniciativa do Cinturão e Rota.

Apesar da aproximação econômica e diplomática, Pequim evita caracterizar a relação como uma aliança militar formal e insiste que sua atuação no Oriente Médio está baseada na não intervenção e na busca por soluções políticas para os conflitos regionais.

Além da dimensão econômica e diplomática, a China também realizou envios pontuais de ajuda humanitária ao Irã em contextos de crise, incluindo suprimentos médicos e assistência emergencial por meio de organizações como a Cruz Vermelha chinesa e o Crescente Vermelho iraniano.

Editado por: Luís Indriunas

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