A explosão de uma tubulação de gás encanado durante uma obra da Sabesp na região do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo (SP), que deixou um homem morto, três pessoas feridas e residências destruídas na segunda-feira (11), expõe o desmonte que a empresa tem sofrido com o processo de privatização.
A análise é de José Antonio Faggian, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
“É preciso colocar na conta do governador [Tarcísio de Freitas]. Desde sempre denunciamos que isso iria acontecer, que as tarifas iam aumentar, os serviços iam piorar e a qualidade de trabalho ia piorar também”, destaca. “Perdemos quase 50% do quadro de funcionários desde o início da privatização. É um verdadeiro desmonte.”
Faggian conta que, desde o início do processo de privatização, a empresa teve três PDVs, Programas de Demissão Voluntária. “Isso tudo colocou a empresa nessa situação. Em uma ponta, a dos trabalhadores, a gente vê condições precárias de trabalho, salários reduzidos, uma pressão altíssima sobre os trabalhadores que permaneceram na empresa. E do outro lado, a gente vê o lucro de R$ 6,3 bilhões”, diz.
Para ele, o governo do estado “optou por privatizar uma empresa que era lucrativa e eficiente”.
“[A Sabesp] tem hoje implementada a lógica do lucro em primeiro lugar. Só que um serviço que lida com a saúde da população não poderia ter essa lógica. Esse processo gera como efeito colateral a piora do serviço para a população e também a precarização das condições de trabalho para esses profissionais. Isso tudo decorre desse processo de desmonte e precarização da empresa, a partir da privatização”, argumenta.
O presidente do Sintaema ressalta que “há uma série de questões que ainda precisam ser apuradas”, mas a responsabilidade da Sabesp no episódio é evidente. “A gente precisa entender esse episódio dentro de um contexto mais geral, de uma série de acidentes que aconteceram, com trabalhadores que morreram. A gente teve em Mairiporã [rompimento de uma caixa d’água durante manutenção que deixou um morto e sete feridos em março deste ano]. Se isso não for corrigido, vai continuar acontecendo. Tivemos problemas com a qualidade da água, com destaque recente para a situação de Hortolândia”, destacou Faggian, em referência ao episódio de forte odor e gosto da água das torneiras da cidade que veio a público no início de maio.
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