O impasse entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito continua depois que, na segunda-feira (11), Donald Trump rechaçou uma proposta enviada por Teerã classificando-a como “pedaço de lixo”. Dentre as exigências iranianas, estão o fim do conflito no Oriente Médio, a retirada do bloqueio naval estadunidense do Estreito de Ormuz e a liberação de ativos financeiros que estão congelados.
Após a recusa, o governo iraniano declarou que, caso o país volte a ser alvo de ataques estadunidenses, vai passar a enriquecer urânio a 90%, patamar suficiente para construir ogivas nucleares, o que deixou os EUA e Israel, países que iniciaram a guerra, em situação bastante delicada. Nesta terça-feira (12), a Guarda Revolucionária Iraniana realizou exercícios militares em Teerã para se preparar para um eventual retorno da guerra.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gustavo Menon, professor na Universidade Católica de Brasília (UCB) e Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina na Universidade de São Paulo (Prolam-USP), avalia que, de fato, o cessar-fogo neste momento está sob risco. “A guerra parece estar iminente após o rechaço da Casa Branca. E Trump está em uma situação bastante delicada tanto do ponto de vista do plano internacional, quando nós analisamos a geopolítica, a influência dos EUA no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, assim como quando analisamos a correlação de forças internas nos EUA, onde Donald Trump tem níveis de impopularidade que, obviamente, serão capilarizados, serão vocacinados na eleição de meio de mandato”, afirma.
Historicamente, os EUA nunca conseguiram chegar a um acordo com o Irã e, para Menon, não será agora que qualquer tipo de negociação irá acontecer. “Já houve oportunidades de vias pacíficas para esse acordo nuclear, a própria diplomacia brasileira, pelo Itamaraty e pelo Ministério das Relações Exteriores, que tentaram mediar o programa nuclear iraniano para fins pacíficos. Agora, nesse momento, as tensões estão bastante acirradas e considero esse impasse insolúvel. Os EUA não abrem mão do desmantelamento do programa nuclear iraniano enquanto o Irã quer ter autonomia para manter o programa e promover a soberania energética do país”, afirma.
Menon também avalia o possível impacto da reunião que Donald Trump fará na quarta-feira (13) com Xi Jinping, em Pequim (China). O analista lembra que, para a China, o conflito é bastante prejudicial. “Essa negociação deve entrar no radar, já que estamos falando de uma ordem internacional bastante colapsada e esse mundo em conflagração. Entre os assuntos que serão discutidos devem estar a guerra no Irã, esses conflitos no Oriente Médio, no Golfo e o próprio avançar do conflito na Eurásia. Além disso, há o ambiente de guerra comercial desde o início do mandato de Trump, onde nós tivemos a agudização das medidas protecionistas que inviabilizaram cadeias produtivas chinesas”, afirma. “Além disso, a China depende do abastecimento de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz. Certamente, Xi Jinping vai tomar a pauta de uma só China, a questão de Taiwan. Ou seja, será um encontro emblemático”, avalia.
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