Teatro Crítico

‘Se Eu Fosse Malcolm?!’ traz questões decoloniais com teatro, música e dança em circulação pelo Recife

Idealizado por Eron Villar e Vibra, espetáculo tem como base vivências do ativista norte-americano Malcolm X

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Espetáculo é descrito como uma “performance cênico-sonora"
Espetáculo é descrito como uma “performance cênico-sonora” | Crédito: Dudu Silva/Divulgação

Inspirado nas vivências do ativista negro norte-americano Malcolm X, o espetáculo “Se Eu Fosse Malcolm?!” realiza uma circulação pelo Recife a partir desta terça-feira. O projeto é descrito como uma “performance cênico-sonora com raiz afropernambucana”, colocando teatro e música para imergir em questões decoloniais pautadas por questões de identidade racial e gênero. As apresentações começam pela Escola Pernambucana de Circo, no bairro da Macaxeira, às 19 horas, seguindo para o Cobogó das Artes, em Areias, na quarta-feira (13), no mesmo horário. A circulação se encerra no Compaz Paulo Freire, no Ibura, às 15 horas da quinta-feira (14). 

A obra é dirigida e protagonizada por Eron Villar e Vibra, misturando música identitária com o teatro épico-narrativo, potencializadas coletivamente pela oralidade, movimento corporal, trilha sonora, luzes e figurinos. O espetáculo se desenrola tendo também como base pensamentos e obras de nomes como Lélia Gonzalez, Achille Mbembe, Martin Luther King, Nina Simone (em memória) e Elza Soares (em memória) e Bell Puã.

A trilha sonora é executada por Vibra, que também é DJ e assina a concepção musical do espetáculo, produzida em parceria com o artista arcoverdense D’Mingus. Em cena, a artista também convida o público para uma cena coletiva de celebração à dança enquanto “uma expressão de vida, movimentação corporal e identidade”, um ato político que o projeto batiza como “revolução rebolativa”. A música faz parte da mistura de linguagens, experiências e saberes da rua, da diáspora e do cotidiano.

“A apresentação é inspirada na referência de Malcolm X, ativista negro norte-americano que atuou na década de 1960 pelos direitos civis da população negra, tornando-se uma das mais influentes vozes mundiais pela igualdade racial. Ou seja, é uma escuta cênica à memória de Malcolm X. A articulação entre a população negra e o pensamento decolonial valoriza uma diversidade de saberes, memórias, territórios, histórias e realidades sociais”, conta Eron Villar.

“O conceito criativo surge da própria pergunta que é o título da performance cênico-sonora. O ponto de partida da apresentação é o encontro de Malcolm X com diversas personalidades negras que contribuíram socialmente e politicamente para a história e outras que até hoje são referências de resistência”, complementa Vibra. 

A temporada do espetáculo tem incentivo público, com o financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife. Além disso, reúne o apoio da Festa Literária das Periferias (Flup-PE), Festival Internacional Cena CumpliCidades, Centros Comunitários da Paz (Compaz), Escola Pernambucana de Circo e Cobogó das Artes. A realização é coletiva entre Ananse Produções, Villa Luz e Vibra Lab.

Editado por: Rostand Tiago

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