Ingerência

Trump diz que discutirá Taiwan com Xi; China reitera ‘oposição categórica’ contra venda de armas à ilha

Trump leva a Pequim maior delegação empresarial da história, com 17 CEOs de corporações como Apple, Tesla e BlackRock

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Presidente chinês Xi Jinping no Grande Salão do Povo, em Pequim, em 28 de março de 2025, e o presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 16 de março de 2026.
Presidente chinês Xi Jinping no Grande Salão do Povo, em Pequim, em 28 de março de 2025, e o presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 16 de março de 2026. | Crédito: ADEK BERRY e ANNABELLE GORDON / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viaja nesta quarta-feira (13) para Pequim, onde se reunirá com seu homólogo chinês, Xi Jinping. É a primeira visita oficial de um líder estadunidense à China em nove anos. Às vésperas da visita, o governo Trump tem ativado pontos de tensão com o gigante asiático, que incluem assuntos como Irã, Taiwan e sanções impostas por Washington a empresas chinesas e de Hong Kong.

Antes de embarcar, Trump disse a jornalistas na Casa Branca que colocaria na mesa o tema das vendas de armas estadunidenses a Taiwan. “Vou ter essa conversa com o presidente Xi”, declarou. “O presidente Xi prefere que não façamos isso, e vou discutir isso com ele. É um dos muitos assuntos que vou tratar”, disse.

Em dezembro de 2025, a administração Trump havia aprovado o maior pacote de armas à ilha da história, de 11,1 bilhões de dólares (R$ 54,4 bi).

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, reiterou na segunda-feira (11) que a posição chinesa sobre venda de armas a Taiwan é “consistente e clara”. Essa posição é de oposição categórica: Washington deve parar de vender armas para Taiwan, respeitar o princípio de uma só China e os três comunicados conjuntos sino-estadunidenses.

O tom da chegada de Trump foi marcado por duas rodadas de sanções impostas por Washington nos últimos dias. Na sexta-feira (8), o Departamento do Tesouro estadunidense anunciou medidas contra empresas da China continental, Hong Kong e outros países, acusadas de supostamente ajudar o Irã a adquirir componentes para drones e mísseis balísticos. No domingo (10), uma segunda rodada visou empresas de Hong Kong e outros países que estariam facilitando a venda de petróleo iraniano para a China em nome da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo comunicado do Tesouro estadunidense.

Em resposta, Guo Jiakun afirmou que a China “se opõe firmemente a sanções unilaterais ilegais, sem base no direito internacional e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU”, e prometeu “salvaguardar com firmeza os direitos e interesses legítimos de suas empresas”.

Apesar das tensões, o governo chinês vem sinalizando disposição para o diálogo. Guo Jiakun afirmou que Pequim está disposta a “expandir a cooperação, gerir as diferenças e injetar maior estabilidade e certeza em um mundo marcado pela mudança”.

Trump está trazendo à China a maior delegação empresarial que um presidente estadunidense já levou a uma cúpula bilateral: mais de 17 CEOs das maiores empresas do país, entre eles Tim Cook, da Apple, Elon Musk, da Tesla, Larry Fink, da BlackRock e Kelly Ortberg, da Boeing, empresas com dependências profundas do mercado e da cadeia produtiva chinesa.

A agenda oficial divulgada pela Casa Branca prevê que Trump e Xi Jinping se encontrem na quinta-feira (14) no Grande Salão do Povo, com uma cerimônia de boas-vindas às 10h, seguida de reunião bilateral às 10h15 e banquete de Estado às 18h. Na sexta-feira (15), os dois presidentes se reúnem novamente para uma foto oficial, um chá às 11h40 e um almoço às 12h15, antes da partida de Trump de volta a Washington. A maior parte das reuniões está fechada à imprensa.

Jimmy Lai, outro ponto de ingerência

Trump também anunciou que levaria à mesa o caso de Jimmy Lai, ex-magnata da mídia de Hong Kong condenado a 20 anos de prisão. “Ele causou muita turbulência para a China. Ele tentou fazer a coisa certa. Não teve sucesso, foi para a cadeia, e as pessoas gostariam de vê-lo livre, e eu também gostaria”, disse Trump na segunda-feira.

Mais de 100 legisladores estadunidenses enviaram uma carta a Trump pedindo que ele pressione Xi Jinping pelo caso durante a cúpula. Trump já havia levantado o tema no encontro com Xi em Busan, na Coreia do Sul, em outubro do ano passado.

Ao ser consultado sobre o tema na coletiva desta terça, o porta-voz Guo Jiakun disse que “Li Zhiying [nome chinês do ex-magnata] é um dos principais planejadores e participantes dos incidentes anti-China e desestabilizadores de Hong Kong. Os assuntos de Hong Kong são assuntos internos da China, e o governo central chinês apoia firmemente os órgãos judiciais de Hong Kong no cumprimento de suas funções de acordo com a lei”.

Lai é um velho conhecido de Washington. Em julho de 2019, em plena escalada das ações violentas em Hong Kong, ele viajou aos Estados Unidos para reuniões com o então vice-presidente de Trump, Mike Pence, o ex-secretário de Estado Mike Pompeo e o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton. Segundo declaração da ex-porta-voz do Departamento de Estado Morgan Ortagus, na ocasião, Pompeo e Lai discutiram “desenvolvimentos relacionados às emendas ao projeto de lei de extradição de Hong Kong” e “o status da autonomia de Hong Kong sob a estrutura de ‘Um País, Dois Sistemas'”.

Editado por: Geisa Marques

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