O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viaja nesta quarta-feira (13) para Pequim, onde se reunirá com seu homólogo chinês, Xi Jinping. É a primeira visita oficial de um líder estadunidense à China em nove anos. Às vésperas da visita, o governo Trump tem ativado pontos de tensão com o gigante asiático, que incluem assuntos como Irã, Taiwan e sanções impostas por Washington a empresas chinesas e de Hong Kong.
Antes de embarcar, Trump disse a jornalistas na Casa Branca que colocaria na mesa o tema das vendas de armas estadunidenses a Taiwan. “Vou ter essa conversa com o presidente Xi”, declarou. “O presidente Xi prefere que não façamos isso, e vou discutir isso com ele. É um dos muitos assuntos que vou tratar”, disse.
Em dezembro de 2025, a administração Trump havia aprovado o maior pacote de armas à ilha da história, de 11,1 bilhões de dólares (R$ 54,4 bi).
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, reiterou na segunda-feira (11) que a posição chinesa sobre venda de armas a Taiwan é “consistente e clara”. Essa posição é de oposição categórica: Washington deve parar de vender armas para Taiwan, respeitar o princípio de uma só China e os três comunicados conjuntos sino-estadunidenses.
O tom da chegada de Trump foi marcado por duas rodadas de sanções impostas por Washington nos últimos dias. Na sexta-feira (8), o Departamento do Tesouro estadunidense anunciou medidas contra empresas da China continental, Hong Kong e outros países, acusadas de supostamente ajudar o Irã a adquirir componentes para drones e mísseis balísticos. No domingo (10), uma segunda rodada visou empresas de Hong Kong e outros países que estariam facilitando a venda de petróleo iraniano para a China em nome da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo comunicado do Tesouro estadunidense.
Em resposta, Guo Jiakun afirmou que a China “se opõe firmemente a sanções unilaterais ilegais, sem base no direito internacional e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU”, e prometeu “salvaguardar com firmeza os direitos e interesses legítimos de suas empresas”.
Apesar das tensões, o governo chinês vem sinalizando disposição para o diálogo. Guo Jiakun afirmou que Pequim está disposta a “expandir a cooperação, gerir as diferenças e injetar maior estabilidade e certeza em um mundo marcado pela mudança”.
Trump está trazendo à China a maior delegação empresarial que um presidente estadunidense já levou a uma cúpula bilateral: mais de 17 CEOs das maiores empresas do país, entre eles Tim Cook, da Apple, Elon Musk, da Tesla, Larry Fink, da BlackRock e Kelly Ortberg, da Boeing, empresas com dependências profundas do mercado e da cadeia produtiva chinesa.
A agenda oficial divulgada pela Casa Branca prevê que Trump e Xi Jinping se encontrem na quinta-feira (14) no Grande Salão do Povo, com uma cerimônia de boas-vindas às 10h, seguida de reunião bilateral às 10h15 e banquete de Estado às 18h. Na sexta-feira (15), os dois presidentes se reúnem novamente para uma foto oficial, um chá às 11h40 e um almoço às 12h15, antes da partida de Trump de volta a Washington. A maior parte das reuniões está fechada à imprensa.
Jimmy Lai, outro ponto de ingerência
Trump também anunciou que levaria à mesa o caso de Jimmy Lai, ex-magnata da mídia de Hong Kong condenado a 20 anos de prisão. “Ele causou muita turbulência para a China. Ele tentou fazer a coisa certa. Não teve sucesso, foi para a cadeia, e as pessoas gostariam de vê-lo livre, e eu também gostaria”, disse Trump na segunda-feira.
Mais de 100 legisladores estadunidenses enviaram uma carta a Trump pedindo que ele pressione Xi Jinping pelo caso durante a cúpula. Trump já havia levantado o tema no encontro com Xi em Busan, na Coreia do Sul, em outubro do ano passado.
Ao ser consultado sobre o tema na coletiva desta terça, o porta-voz Guo Jiakun disse que “Li Zhiying [nome chinês do ex-magnata] é um dos principais planejadores e participantes dos incidentes anti-China e desestabilizadores de Hong Kong. Os assuntos de Hong Kong são assuntos internos da China, e o governo central chinês apoia firmemente os órgãos judiciais de Hong Kong no cumprimento de suas funções de acordo com a lei”.
Lai é um velho conhecido de Washington. Em julho de 2019, em plena escalada das ações violentas em Hong Kong, ele viajou aos Estados Unidos para reuniões com o então vice-presidente de Trump, Mike Pence, o ex-secretário de Estado Mike Pompeo e o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton. Segundo declaração da ex-porta-voz do Departamento de Estado Morgan Ortagus, na ocasião, Pompeo e Lai discutiram “desenvolvimentos relacionados às emendas ao projeto de lei de extradição de Hong Kong” e “o status da autonomia de Hong Kong sob a estrutura de ‘Um País, Dois Sistemas'”.
