ELEIÇÕES 2026

Ciro Gomes faz giro à direita, tentará desnacionalizar disputa, e Ceará tende a ter eleição acirrada em 2026

Ex-presidenciável foi convidado para disputar as eleições presidenciais, mas optou por seguir no voo estadual

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Ciro Gomes e Aécio Neves na abertura da reunião nacional do PSDB em abril de 2026
Ciro Gomes e Aécio Neves na abertura da reunião nacional do PSDB em abril de 2026 | Crédito: Divulgação/PSDB

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) anunciou esta semana que não irá disputar as eleições presidenciais de 2026 e que seu principal objetivo é voltar ao cargo de governador do Ceará, posto que ocupou no início dos anos 1990. Neste movimento, o ex-presidenciável aposta numa inflexão para a direita, reúne apoio de expoentes do bolsonarismo no estado e tentará “desnacionalizar” o debate acionando temas mais locais ao longo da campanha.

O programa É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, iniciou na segunda-feira (11) uma série de entrevistas que busca destrinchar os cenários estaduais do pleito deste ano. O programa irá receber analistas e cientistas políticos para falar sobre alianças locais, temas em disputa e desempenho dos candidatos presidenciais em cada região do país.

Monalisa Lima Torres, professora da Universidade do Ceará e pesquisadora do Observatório de Política do Nordeste, avalia que o retorno de Ciro à disputa estadual deu forças ao campo da oposição e, com isso, a eleição do Ceará tende a ser uma das mais acirradas do país em 2026.

“O Ciro Gomes, não só pela sua vitrine nacional, é uma figura amplamente conhecida e consagrada nas eleições. Ele conseguiu articular uma base no campo da direita que, hoje, nos parece bastante competitiva. Trata-se de uma composição com nomes fortes, lideranças com capital político relevante e bases eleitorais já consolidadas no estado. Atualmente, a preço de hoje, o retorno de Ciro ao PSDB fortaleceu significativamente a legenda, que passou a contar com uma das maiores bancadas na Assembleia Legislativa do Ceará”, analisa.

Apesar desse fôlego, Ciro e a oposição cearense terão dificuldades ao longo do caminho. Na avaliação, a direita enfrentará limitações, como a fragilidade do antipetismo no estado, a divisão no campo bolsonarista, a aposta na “desnacionalização da eleição”, a evidente contradição ideológica na coligação e um conflito geracional.

“Quando a gente olha para os programas e, pelo menos, para as falas iniciais de Ciro Gomes e dos seus aliados mais próximos — o próprio Capitão Wagner, Roberto Cláudio e outros nomes do entorno do núcleo de Ciro Gomes —, a busca é por uma projeção, por um espaço de memória recomposta de um passado em que ele foi um grande governador. E, historicamente, o Ceará reconhece isso. Mas, do ponto de vista do eleitorado novo, Ciro precisaria recompor o seu discurso para conquistar o eleitor jovem, que não viveu esse grande período do PSDB no Ceará, quando ele foi governador, quando ele foi prefeito.”

Incertezas no PT

Ao mesmo tempo em que a direita se organiza em torno do nome de Ciro Gomes, o atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), enfrenta um paradoxo. Enquanto 53% dos eleitores entrevistados pela Genial/Quaest em abril aprovavam o governo, Emano de Freitas seria derrotado pelo tucano. Na primeira rodada, a pesquisa indica que Ciro tem 41% contra 32% do petista. No segundo turno, Ciro aparece com 46% contra 35% do atual governador. O único candidato competitivo dentro do campo governista é o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, que antecedeu Elmano no governo do estado.

Esses dados abrem um cenário de incerteza entre os petistas no estado. Há uma discussão interna para avaliar uma possível substituição de candidato. Mas esse movimento ainda não foi confirmado. Na avaliação da professora, a substituição passaria uma mensagem negativa para o eleitor que poderia ser explorada pela oposição. “Pode trazer a ideia de que o próprio partido não acredita no governador”, diz.

Por outro lado, a pesquisadora afirma que o partido pode fazer uma leitura mais pragmática e ampla da conjuntura, entendendo que o estado é também muito importante para a disputa nacional, e sair vitorioso das urnas para o governo do estado ajudaria automaticamente a candidatura do presidente Luiz Inácio da Silva (PT).

“O Nordeste continua sendo um reduto estratégico do PT. O cálculo envolve não apenas a eleição estadual, mas também o impacto sobre a disputa presidencial”, diz.

Torres também analisou a influência do senador Cid Gomes (PSB) nas costuras de alianças no campo governismo, os principais nomes cotados para o senado e o impacto da desistência de José Guimarãoes, atual ministro das Relações Institucionais, de disputar as eleições para senador.

Editado por: Thaís Ferraz

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