CULTURA POPULAR

Coco do Pneu lança primeiro álbum e leva sambada à festa de Nazaré da Mata (PE)

Formado na tradição de coco do Amaro Branco, em Olinda, grupo grava primeiro disco e faz show de lançamento

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Coco do Pneu também se apresenta em escola pública de Olinda na manhã desta quinta-feira (14)
Coco do Pneu também se apresenta em escola pública de Olinda na manhã desta quinta-feira (14) | Crédito: Sérgio Melo/Terno da Mata

Neste sábado (16), a partir das 21h, o grupo Coco do Pneu lança seu primeiro álbum oficial com um show gratuito no Ponto de Cultura Revoltosa, em Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A apresentação integra a programação de aniversário da cidade e marca um momento histórico para o coletivo olindense, que celebra 36 anos de trajetória com um disco inédito e uma série de ações culturais que atravessam territórios e gerações.

A escolha de Nazaré da Mata como palco do lançamento reforça o diálogo entre o grupo e um dos principais polos da cultura popular pernambucana. Conhecida pela força do maracatu de baque solto e por suas tradições festivas, a cidade se torna cenário de um encontro simbólico entre expressões culturais que compartilham raízes afro-brasileiras e comunitárias.

Formado no bairro Amaro Branco, em Olinda, o Coco do Pneu é liderado pelo Mestre Lu do Pneu, nome artístico de Fernando Antônio da Anunciação. Com origem nas vivências de pescadores artesanais da região, o grupo construiu sua identidade a partir das sambadas de coco de roda e, ao longo das décadas, ampliou seu alcance com apresentações em festivais e turnês internacionais, incluindo passagens pela Europa em 2025.

O espetáculo de lançamento reúne a formação característica do grupo, marcada pela força percussiva e pelo canto coletivo. Lu do Pneu assume o vocal principal e o bombo, acompanhado por Juninho do Coco e Lu Guarú na base rítmica. O pandeiro ganha destaque com Anderson Sales e Antônio Marcos, enquanto o ganzá de Alcides Nascimento costura a sonoridade. Nos backing vocals, Raiani do Pneu, Yone, Juninho do Coco, Marcela Souza, Lucinéa Maria e o próprio Alcides reforçam o jogo de pergunta e resposta típico do coco, aproximando público e artistas em uma experiência participativa.

A história do grupo também está ligada à memória afetiva do Amaro Branco. O nome Coco do Pneu remete a um objeto encontrado por Jose Ivo da Anunciação, pai de Lu do Pneu, na praia de Pau Amarelo. O pneu, levado para o bairro, passou a ser ponto de encontro para rodas de coco e celebrações comunitárias, tornando-se símbolo das sambadas que até hoje acontecem no Beco do Pneu, tradicionalmente no último sábado de cada mês.

Como parte das ações do projeto, o grupo realiza uma contrapartida social na quinta (14), às 9h, na Escola Sagrado Coração de Jesus, também em Amaro Branco. A atividade reúne estudantes e comunidade escolar em uma roda de diálogo seguida de pocket show, com o objetivo de valorizar o coco de roda, fortalecer a memória cultural e estimular reflexões sobre identidade e resistência.

O álbum, intitulado “Coco do Pneu”, foi lançado pelo selo Terno da Mata Records e está disponível nas plataformas de streaming. Gravado ao longo de 2025 no Estúdio Fábrica, o disco traz 14 faixas que buscam recriar a atmosfera das sambadas tradicionais, com destaque para a interação entre músicos e público. A produção musical é assinada por Nilton Júnior, com gravação e mixagem de Pedro França e masterização de Pablo Lopes.

Entre os destaques do trabalho está a participação da Mestra Beata, que empresta sua voz às faixas “Agora foi que eu cheguei” e “Ô Mulher”, em registros realizados antes de sua morte. O álbum também conta com participações de Mestre Arnaldo do Coco, Raiani do Pneu, Marcela Souza, Lu Guarú e Juninho do Coco, reunindo diferentes gerações de artistas ligados à tradição.

O evento de lançamento é definido pelos organizadores como um encontro de pontos de cultura e conta ainda com apresentações do Coco de Engenho e participação especial de Regis Arruda, conhecido como Coco da Mata, nome de destaque na cena da Zona da Mata Norte. A iniciativa foi viabilizada pelo Funcultura, fundo estadual de incentivo à cultura.

Editado por: Rostand Tiago

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