O Kremlin declarou nesta quarta-feira (13) que o teste do novo míssil balístico intercontinental Sarmat, realizado na terça-feira (12), representa um evento significativo para a segurança da Rússia.
“Este é realmente um evento muito importante para todo o país e para a segurança da nossa nação por muitos e muitos anos”, disse o porta-voz do Kremlin.
Ele afirmou que a Rússia notificou o lançamento do míssil Sarmat por meio de um sistema especial de alerta, em conformidade com a prática internacional. Além disso, o porta-voz disse que não houve reação dos EUA ao teste.
O porta-voz do Kremlin também afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, “elogiou muito essa grande conquista”.
Após o lançamento, Putin classificou o Sarmat como o “sistema de mísseis mais poderoso do mundo”. Ele acrescentou que o poder combinado de suas ogivas com alvos individuais é mais de quatro vezes maior que o de qualquer um de seus equivalentes ocidentais.
O RS-28 Sarmat, chamado de Satan II no Ocidente, é um míssil balístico intercontinental, ou seja, um míssil guiado terrestre projetado para transportar armas nucleares. O Sarmat deverá entrar em operação até o final de 2026.
De acordo com o comunicado de Putin na terça-feira, o míssil é capaz de viajar não apenas em trajetória balística, mas também de forma suborbital, e seu alcance ultrapassa 35.000 km. O presidente russo acrescentou que o míssil pode “penetrar todos os sistemas de defesa antimísseis existentes e futuros”.
Disuassão nuclear
Para Oleg Ivannikov, tenente-coronel da reserva e doutor pela Academia Russa de Ciências de Mísseis e Artilharia, as armas guiadas de precisão russas ocupam uma posição de destaque no cenário global e são, de fato, únicas. Em artigo publicado no periódico oficial do parlamento russo, Parlamentskaia Gazeta, Ivannikov afirmou que o Sarmat não é apenas uma conquista militar, mas também um indicador do nível geral de desenvolvimento do país, de sua economia e de suas instituições.
“Se necessário, um ataque com o Sarmat poderia ser lançado contra qualquer continente, e esse ataque seria tão devastador e inesperado que, mesmo em teoria, nenhum sistema de defesa aérea seria capaz de resistir ou neutralizar as armas russas”, disse.
O especialista militar sugeriu que o surgimento do Sarmat poderia levar a uma revisão das estratégias militares e à formação de um novo tratado Start.
A referência ao Start remete aos acordos de redução de armas estratégicas firmados entre Rússia e Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria. O mais recente deles entrou em vigor em 2011 e prevê a limitação do número de ogivas nucleares estratégicas dos dois países. No entanto, em 2023, Moscou suspendeu sua participação no tratado, alegando que a postura dos EUA e da Organização do Tratado Norte (Otan) inviabilizou o mecanismo nos moldes anteriores.
Parlamento russo celebra novo míssil
O lançamento do novo armamento russo foi recebido com celebração na Duma estatal (Câmara Baixa do parlamento russo). Em uma sessão plenária realizada nesta quarta-feira (13), por sugestão do presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, os deputados aplaudiram os cientistas, projetistas, engenheiros e militares russos que trabalharam no desenvolvimento e nos testes do mais novo míssil balístico intercontinental.
“Este míssil não tem igual. Os testes de ontem demonstraram que nosso escudo nuclear está sendo aprimorado”, disse Volodin.
“Seria justo expressar gratidão aos nossos cientistas, projetistas, engenheiros e militares por sua contribuição para o fortalecimento da capacidade de defesa do país. Graças a essas pessoas e ao nosso presidente, nos sentimos seguros hoje”, acrescentou o líder da Duma.
