ORGANIZAÇÃO E LUTA

Levante da Juventude recebe medalha por 20 anos de organização popular e social

Laura Sito concede Medalha da 56ª Legislatura ao Levante Popular da Juventude por trajetória de resistência no RS

No audio source provided.
Solenidade foi marcada pela emoção e homenagem a Ronaldo Schaeffer, o Ronaldão, falecido aos 43 anos: “um lutador do povo, da juventude e das periferias brasileiras”
Solenidade foi marcada pela emoção e homenagem a Ronaldo Schaeffer, o Ronaldão, falecido aos 43 anos: “um lutador do povo, da juventude e das periferias brasileiras” | Crédito: Fernando Gomes

O movimento social Levante Popular da Juventude recebeu da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) a Medalha da 56ª Legislatura, em reconhecimento às duas décadas de organização popular e luta social. A entrega simbólica da medalha foi feita pela deputada Laura Sito (PT) a Ana Beatriz Bacovis, militante do movimento em Santa Maria, e Brendon Silva, que atua na Grande Cruzeiro.

A parlamentar destacou a trajetória do movimento desde o acampamento em Nova Santa Rita (RS), em fevereiro de 2006, e sua atuação contínua nas escolas, universidades, campo e periferias. “Que alegria ver essa casa lotada, e não só da juventude do Levante, mas das organizações que vocês ajudam a estruturar na nossa cidade e região. Receber o Levante Popular da Juventude nesta Casa, no ano em que completa 20 anos de história, é mais do que um ato formal. Para mim, é um reencontro com a minha própria história”, afirmou Laura.

A solenidade, realizada na terça-feira (12), no Salão Júlio de Castilhos, foi marcada pela emoção e homenagem a Ronaldo Schaeffer, o Ronaldão, falecido aos 43 anos: “um lutador do povo, da juventude e das periferias brasileiras”.

Participaram coletivos da juventude de diversas regiões do RS, cozinhas solidárias, cursinhos populares, entidades sindicais e estudantis e movimentos sociais. “Essa medalha reafirma o reconhecimento público e a importância que o Levante tem na construção de um Brasil justo e, principalmente, da soberania popular”, ressalta Lara Rodrigues, integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Organização e formação

“A medalha é um símbolo importante de reconhecimento de todo esse trabalho. Nosso compromisso é com a organização popular, a formação política de jovens por meio do fortalecimento das nossas ferramentas. A cerimônia de entrega da medalha deixou toda a militância muito animada, tanto pelo peso que representa receber esse reconhecimento. Mas, também, por impulsionar a nossa caminhada, afirmando que estamos construindo um futuro de esperança e possibilidades de um Brasil diferente para a juventude”, ressaltou Juliana Bergmann, da coordenação do Levante no estado.

O Levante Popular da Juventude surgiu em 2006, na Grande Cruzeiro, na zona Sul da capital gaúcha, com o objetivo de organizar a juventude das periferias em torno de um Projeto Popular para o país. Atualmente, a entidade coordena as cozinhas solidárias, cursinhos populares e entidades estudantis em todo o estado.

Escracho a torturadores

O movimento ficou conhecido nacionalmente a partir de 2012 com ações de escracho e denúncia contra torturadores da ditadura militar, como José Antônio Belham, envolvido na morte de Rubens Paiva (RJ), Ustra (DF) e Carlos Alberto Ponzi, em Porto Alegre. A luta por Memória, Verdade e Justiça foi reconhecida pela Secretária Nacional de Direitos Humanos da Presidência daquele ano, que concedeu menção honrosa ao movimento. Também atuou nas periferias durante a pandemia e a enchente no RS.

Ao longo dos 20 anos de organização, o Levante formou no RS centenas de militantes das lutas sociais nos territórios, defensores dos direitos humanos e lideranças que seguem até hoje na luta pela transformação da sociedade.

“O Levante Popular da Juventude tem um papel central no fortalecimento das entidades estudantis, seja na União Nacional dos Estudantes, nas UEEs, nos DCEs ou nos centros e diretórios acadêmicos”, enfatiza Niara Dy Luz, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Para ela, o coletivo “tensiona para que essas entidades não virem só espaços burocráticos, mas instrumentos reais de organização da juventude, com trabalho de base, formação política e conexão com as lutas do povo”.

Editado por: Gilson Camargo

|

Newsletter