Movimentos populares, organizações sociais e militantes de esquerda publicaram homenagens nesta terça (12) e quarta-feira (13) a Ronaldo Souza Schaeffer, conhecido como Ronaldão, que morreu aos 43 anos, em Pelotas (RS). Figura histórica do trabalho de base no Rio Grande do Sul, teve trajetória ligada ao Levante Popular da Juventude, organização da qual foi um dos fundadores no estado, além de contribuir com campanhas populares, mobilizações e processos de comunicação ligados ao Brasil de Fato.
Criado na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, Ronaldão teve origem periférica e passou a juventude enfrentando as dificuldades impostas pela pobreza. Em nota de pesar, o Levante Popular da Juventude destacou que ele “foi uma cria da periferia brasileira” e que encontrou na organização popular a possibilidade de romper o ciclo de violência e exclusão social vivido pela família.
A organização também ressaltou o papel desempenhado por Ronaldo na construção nacional do movimento. “Se o Levante Popular da Juventude existe hoje é porque ele colocou uma mochila nas costas e rodou o país contando a sua história”, afirma o texto.
Nos últimos anos, Ronaldão enfrentava um processo de sofrimento emocional. Pessoas próximas relatam que ele passou por diferentes períodos de internação e tratamento, em uma tentativa contínua de reconstruir a própria vida após perdas familiares e dificuldades acumuladas ao longo dos últimos anos. Desde que se mudou para Pelotas, buscava acompanhamento e apoio para enfrentar esse processo.
Em homenagem publicada nas redes sociais, a educadora e militante do Movimento Brasil Popular, Eliane Martins, relacionou a trajetória de Ronaldo às marcas sociais da desigualdade e da pobreza no Brasil. Segundo ela, a morte de Ronaldão também expressa os impactos da exclusão e do desamparo sobre a vida da classe trabalhadora.
Eliane escreveu que “há jovens Ronaldos por aí, precisando de um destino, de um futuro”, em um texto que associa a trajetória do militante às consequências sociais da pobreza, da violência e da ausência de perspectivas para parte da juventude periférica brasileira.
Além da atuação no Levante, Ronaldão participou de diferentes articulações do campo popular no Rio Grande do Sul. Esteve envolvido em organização comunitária, campanhas, atividades de formação política, ações de agitação e mobilização social, além de contribuir com o projeto A Fome Tem Pressa, junto a cozinhas solidárias, e com iniciativas ligadas à economia solidária.

Atuação no Brasil de Fato
No Brasil de Fato RS, Ronaldão é lembrado pela contribuição ainda anterior à criação formal da redação gaúcha. Militantes ligados ao jornal relatam que ele ajudava a organizar a distribuição do impresso em Porto Alegre e nas mobilizações sociais, articulando a circulação do material junto ao Levante Popular da Juventude e outros movimentos populares.
Posteriormente, também participou das primeiras reuniões de estruturação do Brasil de Fato no estado. Durante a pandemia, esteve envolvido em ações de distribuição de materiais impressos e em iniciativas ligadas a plebiscitos populares e campanhas contra privatizações.
Eliane Martins definiu Ronaldão como alguém com capacidade de mobilizar e formar politicamente jovens da periferia. “Ele era o talento do agitador de massas, aquelas pessoas que mobilizam, agitam, envolvem, levam processos e, no meio disso, descobrem categorias de análise, refletem, tornam-se educadores populares”, escreveu.
Na nota divulgada pelo Levante Popular da Juventude, organizações e militantes lembram dele como alguém que “se doou como poucos” e cuja atuação ajudou a formar uma geração de jovens militantes nas periferias. “Ronaldão formou uma geração sobre a importância do trabalho de base nas periferias, com as palavras, o jeito da periferia, sem perder o conteúdo revolucionário e o horizonte político”, destaca o texto.
