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No 13 de maio, álbum de Prince Belofá ressignifica liberdade e identidade negra

Disco dialoga com a abolição incompleta e reforça debate sobre racismo estrutural no país

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Prince Belofá lançou “Neguinho” em novembro de 2025 e segue expandindo sua presença na cena independente
Prince Belofá lançou “Neguinho” em novembro de 2025 e segue expandindo sua presença na cena independente | Crédito: Debs

O 13 de maio, data que marca a assinatura da Lei Áurea em 1888, segue sendo objeto de disputa simbólica e política mais de um século depois. É nesse contexto que o álbum Neguinho, do rapper Prince Belofá, lançado em novembro de 2025, passa a dialogar com o presente. Mesmo não tendo sido concebido especificamente para a data, o disco tem sido associado a reflexões sobre identidade, ancestralidade e permanência das desigualdades raciais no país. Ouça o disco aqui.

Entre a abolição formal e a realidade concreta

A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, marcou o fim jurídico da escravidão sem prever medidas de reparação, acesso à terra ou inserção econômica para a população negra. No campo cultural, artistas têm retomado essa discussão ao questionar a ideia de liberdade associada ao 13 de maio. No álbum “Neguinho”, Prince Belofá constrói uma narrativa que parte da vivência periférica para abordar questões como pertencimento, racismo e resistência.

Segundo o próprio artista, o rap não pode ser dissociado de seu contexto social e político, o que orienta a abordagem temática de suas músicas. Para ele, a cultura hip-hop nasce das ruas e carrega uma dimensão histórica que atravessa gerações.

Música como continuidade histórica

Ao incorporar referências à espiritualidade de matriz africana e à ancestralidade, o disco estabelece conexões entre passado e presente. A presença desses elementos não aparece apenas como estética, mas como parte de uma construção de identidade que dialoga com a história da população negra no Brasil.

O título Neguinho também se insere nesse debate. A palavra, que pode assumir diferentes significados dependendo do contexto, é utilizada por Belofá como uma forma de evidenciar tensões raciais e, ao mesmo tempo, afirmar identidade. A escolha dialoga com processos históricos de estigmatização e ressignificação de termos ligados à população negra.

Produção periférica e circulação de narrativas

A trajetória de Prince Belofá, que começou nas batalhas de rima e nos slams do Distrito Federal, reflete um movimento mais amplo de produção cultural nas periferias urbanas. Esses espaços têm funcionado como plataformas de formação artística e política, especialmente entre jovens negros.

O álbum reúne participações de diferentes artistas e produtores da cena independente, consolidando uma rede de criação coletiva. Essa dinâmica tem sido apontada por pesquisadores da cultura urbana como um dos principais motores de renovação do rap brasileiro contemporâneo.

Para produtores envolvidos no disco, como Rubão, o trabalho articula experiências individuais com vivências compartilhadas, o que contribui para sua identificação com o público. Ele avalia que o álbum pode impactar tanto a trajetória do artista quanto de ouvintes que se reconhecem nas narrativas apresentadas.

Entre memória e futuro

No 13 de maio, a circulação de obras como Neguinho evidencia como a produção cultural contemporânea tem contribuído para reabrir debates históricos e questionar narrativas consolidadas. Ao abordar temas como espiritualidade, política e cotidiano periférico, o álbum se insere em um campo mais amplo de disputas por memória e reconhecimento.

Enquanto isso, Prince Belofá já trabalha em novas músicas, aprofundando caminhos iniciados em seu disco de estreia. A continuidade da produção indica a permanência de uma agenda artística que dialoga com questões históricas e sociais, conectando passado e presente a partir da experiência vivida nas periferias brasileiras. As novas músicas têm aprofundado sua lírica e pesquisa sonora, expandindo o universo construído em Neguinho: “Uma das melhores canetadas que já dei”, afirma Prince sobre suas novas rimas.

Editado por: Gilson Camargo

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