'Off-Balance'

Operação da PF mira aplicações da previdência de Cajamar (SP) em fundos associados ao Banco Master

Segundo as investigações, R$ 107 milhões foram destinados a fundos de investimento com riscos elevados

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Polícia Federal faz operação em instituto previdenciário de Cajamar (SP)
Polícia Federal faz operação em instituto previdenciário de Cajamar (SP) | Crédito: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (13), a operação Off-Balance, que investiga possíveis irregularidades na gestão de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), na Grande São Paulo.

A apuração foca em aplicações financeiras que somam aproximadamente R$ 107 milhões e que teriam sido realizadas de forma irregular.

Segundo as investigações, o montante foi destinado a fundos de investimento com riscos elevados, o que fere as normas de segurança exigidas para a gestão de previdências municipais. Informações já divulgadas à imprensa indicam que, desse total, cerca de R$ 87 milhões foram aplicados em ativos ligados ao Banco Master.

Durante a ação, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Cajamar e na capital paulista. O foco da operação é colher provas sobre a responsabilidade de gestores e possíveis intermediários financeiros no processo de decisão dessas aplicações.

Em comunicado oficial sobre a ação, a Polícia Federal afirmou que o objetivo é a “apuração de possíveis crimes de gestão temerária e fraudulenta em instituto de previdência de Cajamar (SP)”. A PF ressaltou que as transações investigadas podem comprometer a sustentabilidade financeira do fundo responsável pelo pagamento das aposentadorias dos servidores públicos locais.

O caso foi identificado após auditorias apontarem que os investimentos apresentavam riscos incompatíveis com a política previdenciária do município. A PF agora analisa os documentos e materiais apreendidos para verificar se houve favorecimento ou recebimento de vantagens indevidas por parte dos envolvidos nas operações financeiras.]

O Brasil de Fato entrou em contato com o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar e questionou sobre a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quarta-feira, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Em 21 de novembro do ano passado, o instituto publicou uma nota em seu site logo após o Banco Central decretar a Liquidação Extrajudicial do Banco Master. Na ocasião, o órgão afirmou que todos os investimentos foram realizados com a “observância de rigorosas cautelas legais e análises técnicas”, em um momento em que a instituição financeira era considerada sólida pelos órgãos reguladores.

O comunicado do IPSSC também informava que a situação do banco não afetaria o pagamento das atuais aposentadorias ou pensões, nem futuras concessões de benefícios. O instituto destacou, à época, que já estava adotando todas as providências jurídicas e administrativas cabíveis para preservar o capital investido e defender os interesses dos segurados.

Editado por: Geisa Marques

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