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‘Organização criminosa com viés de máfia’, diz advogado sobre novas revelações do caso Master

Olavo Hamilton considera, no entanto, que impacto político para 'bolsonarista-raiz' não vai acontecer

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Daniel Vorcaro (à esquerda) e Flávio Bolsonaro (à direita) | Crédito: Montagem/Arquivo Pessoal/Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) prendeu Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na manhã desta quinta-feira (14), um dia após a revelação das relações entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro, adicionando mais uma camada ao maior escândalo de fraude no sistema financeiro do país.

O advogado Olavo Hamilton, professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), destaca que os últimos acontecimentos chocam pela gravidade, mas revelam o que já era esperado: a vinculação do escândalo com a extrema direita. “A questão do caso Master é algo que, embora tenha sido descoberto agora, acontece há muito tempo, remete ao governo do [ex-presidente] Jair Bolsonaro (PL), com todas as benesses que o Master teve para abrir suas linhas de fundo e a pouca fiscalização que se colocou contra o banco, além da questão do [senador] Ciro Nogueira (PP-PI) que levava emenda para o Congresso Nacional, apelidada de emenda Master”, diz Hamilton, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Hamilton enfatiza que, juridicamente, por enquanto, ainda não há elementos para pedido de prisão e mesmo de invalidação da candidatura de Flávio. “Tudo pode acontecer, mas o que nós temos no momento é suficiente para evitar uma candidatura de Flávio Bolsonaro? Eu diria que não. É suficiente para uma prisão? Diria que não. O que temos não afeta juridicamente a candidatura”, afirma.

O advogado considera algum impacto político, mas não acredita que a base fiel se descolará do senador, pela forma cega com que o bolsonarismo opera. “Politicamente afeta muito pouco, porque o bolsonarista raiz não se abala com absolutamente nada com escândalos relacionados à família.”

Na visão do advogado, a prisão do pai de Vorcaro e o envolvimento de Ciro Nogueira adicionam pressão na investigação do caso, inclusive com possível novidade no que diz respeito à delação premiada. Os últimos acontecimentos, segundo Hamilton, transcendem um mero esquema de fraude no sistema bancário.

“Não se trata apenas de pessoas que eram delinquentes no mundo financeiro. Me parece que é algo muito pior. Isso me parece muito mais relacionado à máfia propriamente dita, a um esquema que envolve pessoas da polícia, políticos influentes, pessoas do Judiciário. Me parece uma organização criminosa com viés de máfia”, avalia.

O advogado também traça um paralelo histórico entre a condução das investigações do Banco Master e o período da Lava Jato, quando houve espetacularização e uso político do caso, e defende a responsabilidade com a informação. “É o grande desafio. A gente sabe que os grupos que controlam a mídia no Brasil são grupos econômicos que têm muita força relacionada ao dinheiro, relacionada ao capital. E essa investigação do Banco Master pode revelar algo muito maior, que pode acabar chegando em grandes grupos de mídia do Brasil. Nós sabemos hoje que tanto o setor financeiro quanto alguns conglomerados de mídia têm claramente postura anti-progressista, ou seja, têm uma tendência a apoiar candidaturas vinculadas a direita e flertam com a extrema direita”, diz.

“A saída para isso é que órgãos de imprensa que tenham compromisso maior com a notícia possam estar na missão de informar o povo brasileiro”, considera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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