78 anos da Nakba

Comitê de Solidariedade à Palestina realiza caminhada pela paz em Niterói (RJ)

Ato terá a presença de integrantes da Flotilha Global Sumud Nicolas Calabrese e Leandro Lanfredi

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Manifestante em barco na praia de Icaraí, em Niterói, carrega bandeira de Palestina. Ao fundo está o Museu Niemeyer
Ação do Comitê realizada em 2025 em apoio a ativistas da Flotilha Global Sumud sequestrados por Israel | Crédito: Vitor Voguel/Comitê de Solidariedade à Palestina de Niterói

Em memória da expulsão de 750 mil palestinos de Israel entre 1947 e 1949, a chamada Nakba, o Comitê Niterói de Solidariedade aos Palestinos realiza uma caminhada pela paz na Palestina neste domingo (17) em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Com concentração na Igreja São Judas Tadeu, a partir das 9h, os manifestantes iniciam a caminhada pela praia de Icaraí, região central da cidade.

“O povo palestino sofre uma Nakba contínua, uma continuidade de seu genocídio. Precisamos erguer nossa voz em solidariedade em nosso país e lutar pela ruptura de todas relações comerciais, diplomáticas e militares com a entidade sionista”, disse ao Brasil de Fato, Leandro Lanfredi, integrante da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e da Flotilha Global Sumud, missões marítimas humanitárias pacíficas para Gaza.

Além de Lanfredi, o ato também terá a presença de outro integrante da Flotilha, Nicolas Calabrese. Eles acompanharam a mobilização em defdo ativista Flotilha Thiago Ávila sequestrado por 10 dias por Israel e consideram essa repercussão importante para a continuidade das ações.

“A ação da Flotilha tem uma importância central na questão da ajuda humanitária sendo levada, mas também na questão da visibilidade do que está acontecendo em Gaza e na Palestina. E essa repercussão deve ser acompanhada da visibilidade do que está acontecendo em Gaza, feita por nós aqui na terra firme”, disse Calabrese ao Brasil de Fato.

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Criado em julho de 2025, o comitê tem mantido uma rotina com várias atividades, passaram a produzir o jornal Correio Palestino com o objetivo de chamar a atenção do que ocorre em Gaza e organizaram um clube do livro. Na primeira edição, o escolhido foi o historiador judeu-israelense Ilan Pappé. A segunda edição teve a participação da escritora sul-africana Zuzkissa Wanner.

Na próxima quarta-feira (20), Wanner lançará o livro Diário de uma flotilha por Gaza na Livraria Books em Botafogo, zona sul do Rio. Na obra, ela relata a viagem iniciada em agosto de 2025, saindo de Joanesburgo, na África do Sul, para se juntar a civis de 44 países e encarar mais uma missão para tentar romper o cerco de 18 anos imposto por Israel à Gaza.

A Nakba

Al Nakba, a Catástrofe, em árabe, é o nome que os palestinos dão à expulsão de milhares de palestinos de 975 vilas e cidades da Palestina Histórica pelas milícias sionistas e o exército de Israel. Hoje, na diáspora, já são cerca de 6 milhões de refugiados palestinos. Contrariando resolução da ONU, Israel proíbe o retorno deles à Palestina.

A Nakba começa com a aprovação da partilha da Palestina pela ONU que criava um estado judeu em 55% do território e um estado palestino no restante. Os israelenses, no entanto, jamais respeitaram as fronteiras. Milícias sionistas promoveram atentados terroristas, assassinatos, demolição de vilas inteiras, colocando em prática o Plano Dalet, que o historiador Ilan Pappé chamou de “roteiro de limpeza étnica” na obra A Limpeza Étnica da Palestina. Em 1949 já ocupavam 77% do território.

Editado por: Juliana Passos

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