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Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Rede municipal

Em greve, servidores da educação de SP fazem novo ato nesta sexta (15) após Câmara aprovar reajuste parcelado e abaixo da inflação proposto por Nunes

Dirigente sindical critica gestão de Ricardo Nunes e fala em sucateamento da estrutura de ensino

  • 15.maio.2026 - 08:54
  • São Paulo (SP)
  • José Bernardes E Maria Teresa Cruz
No audio source provided.
Professores da rede municipal de São Paulo realizam ato durante o 16º dia de greve em frente à Prefeitura, nesta quarta-feira (13/5) | Divulgação/Graça Donegati/Sinpeem Leia mais em: https://www.gazetasp.com.br/cotidiano/greve-dos-professores-reajuste-e-recusado-e-impasse-chega-a-3a/1178284/
Professores da rede municipal de São Paulo realizam ato durante o 16º dia de greve em frente à Prefeitura, nesta quarta-feira (13/5) | | Crédito: Divulgação/Graça Donegati/Sinpeem

Servidores da educação da rede municipal de São Paulo realizam um ato em frente à prefeitura nesta sexta-feira (15), às 11h, em continuidade à greve iniciada em 28 de abril. A nova mobilização foi convocada após a Câmara Municipal aprovar, na noite de quarta-feira (13), o projeto do prefeito Ricardo Nunes que prevê reajuste salarial de 3,51% parcelado em dois anos para os servidores públicos municipais.

O projeto foi aprovado em segunda votação por 35 votos a favor e 16 contra, após um dia de mobilizações da categoria. Os trabalhadores começaram com uma assembleia em frente à prefeitura, seguiram em caminhada até a Câmara Municipal e depois participaram de um ato conjunto com estudantes na avenida Paulista.

Contrários à proposta da prefeitura, os profissionais da educação decidiram manter a greve. A categoria reivindica reajuste de ao menos 5,4%, além de aumento real de 10% e incorporação de abonos complementares. A gestão municipal impôs 2% de reajuste neste ano e 1,51% em 2027.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Donizete Fernandes, vice-presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem), afirma que a gestão Nunes tem conduzido as negociações sem diálogo com a categoria.

“Nós continuamos em greve porque, desde o começo da greve, em abril, o que nós estamos começando a construir. Nós dissemos sempre que a greve não é só uma questão salarial. É verdade que trabalhador não sobrevive sem o atendimento da sua questão material. Nós todos vivemos a questão material. Nós vamos nos alimentar, pagar nossas contas. Nós temos questões relativas ao mercado de trabalho, à vida social, que exigem no atendimento das questões materiais”, explica.

Os sindicatos afirmam que a greve também denuncia o agravamento das condições de trabalho na rede municipal, com salas superlotadas, falta de ventilação, necessidade de reformas, déficit de profissionais e problemas de inclusão escolar.

“Mas a greve diz respeito a coisas estruturais da política de educação da gestão Nunes, que ele considera equivocada. Nós temos condições de trabalho bastante ruins na rede municipal de ensino. Essas condições de trabalho, a SME, o secretário municipal de Educação e o Ricardo Nunes sequer mencionaram no PL aprovado ontem na Câmara. E nós continuamos em greve porque nós também queremos discutir e queremos tentar avançar no atendimento das melhorias das condições de trabalho”, avalia.

A gestão Ricardo Nunes defendeu o reajuste aprovado pela Câmara e afirmou que a proposta contempla 64 mil profissionais da educação. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação, comandada por Fernando Padula, ameaçou que os servidores que aderiram à greve poderão ter os dias descontados caso as faltas não sejam justificadas até esta sexta-feira (15).

Donizete Fernandes afirma que a forma de Nunes lidar com a educação expressa a política da extrema direita, que é o desmonte do sistema público. “O entendimento da direita que avança no mundo é que serviços públicos não precisam ser de servidores públicos. Então nós temos uma série de questões nas 1,6 mil escolas da rede municipal de ensino, as 1,6 mil escolas diretas com servidores efetivos, concursados que vão, que passam por essa questão da infraestrutura inadequada”, explica.

Em nota, o Sinpeem afirmou que a continuidade da paralisação é uma resposta “às maldades do prefeito Nunes” contra os profissionais da educação e ao “colapso da educação na maior cidade do país”. A entidade também critica dispositivos do projeto que, segundo os sindicatos, ampliam a terceirização da rede municipal.

A Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal (Coeduc), formada por Sinpeem, Sedin e Sinesp, classificou a proposta da prefeitura como “insuficiente e desrespeitosa”. Durante audiência pública realizada antes da votação, as entidades apresentaram um substitutivo prevendo reposição integral da inflação, aumento real de 10% e medidas voltadas à saúde, infraestrutura e valorização profissional.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Geisa Marques

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