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‘Em ‘Terreiros Urbanos’, o protagonismo é das mulheres’, afirma codiretora de série documental do BdF

Marina Duarte de Souza explica como cosmologia africana se contrapõe a de outras religiões, como as cristãs

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Luciana Bispo, ialorixá do Ilê Oba Àse Ogodo, no Jardim Mata Virgem em São Paulo, é uma das protagonistas da série 'Terreiros Urbanos'.
Luciana Bispo, ialorixá do Ilê Oba Àse Ogodo, no Jardim Mata Virgem em São Paulo, é uma das protagonistas da série ‘Terreiros Urbanos’ | Crédito: Iolanda Depizzol/Brasil de Fato

A série documental “Terreiros Urbanos”, que estreou na quarta-feira (13) no Youtube do Brasil de Fato, trata do papel central das mulheres nas religiões de matriz africana. Segundo um conto da cosmologia africana, os Orixás masculinos tomavam decisões sobre a humanidade sem ouvir as Yabás, como são chamadas as divindades femininas. Como retaliação, Oxum tirou a fecundidade das mulheres e da natureza, e o mundo colapsou. Então os Orixás descobriram que nenhuma decisão poderia ser tomada sem a visão das mulheres.

A partir disso, a produção traz a história de cinco mulheres de terreiros do estado de São Paulo que detalham sua vivência na religião e como isso moldou a atuação na preservação da memória, da cultura e dos direitos sociais.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Marina Duarte de Souza, codiretora da série, conta que a equipe visitou terreiros no interior e no litoral paulista. “Nosso objetivo foi mostrar como essas mulheres estão reverenciando suas ancestrais e reproduzindo o que aprenderam com as mais velhas, cuidando não apenas da parte espiritual das comunidades, mas também de todo um território. Dentro desses espaços, existe uma produção cultural, uma promoção da saúde, uma valorização da identidade e da cultura negra que tem um impacto direto na sociedade porque a gente está falando de uma sociedade racista, machista, homofóbica, e esses são espaços de acolhimento e cuidado que também produzem política pública”, explica.

Souza destaca que a série se contrapõe à forma como outras religiões consideram o feminino e a figura da mulher. “A cosmologia de matriz africana é totalmente oposta à que traz a religião cristã, por exemplo, em que a mulher saiu da costela de um homem. Aqui não. Essas histórias colocam as mulheres como base fundamental para que esses fundamentos, essa religião aconteça de fato. A história de Oxum prova como as mulheres têm poder. Quando você tem uma religião que traz isso como central, como parte do sagrado, mostra como as mulheres são colocadas em um lugar de protagonismo”, explica a codiretora.

A série estreou no Youtube no dia 13 de maio, data do dito fim da escravidão no Brasil, mas que o movimento negro classifica como “falsa abolição”. Marina Duarte de Souza aponta o simbolismo disso dentro do contexto da série. “A série se passa em São Paulo, em um território em que historicamente a população negra e indígena é apagada, invisibilizada. A gente tem bairros na capital que eram negros, como a Liberdade, a Bela Vista, o Jabaquara, que se vivenciaram um embranquecimento. Então nosso objetivo é fazer coro também ao movimento negro e movimento popular de que é uma falsa abolição e que a história preta de matriz africana existe em São Paulo e ela também constrói a história desse estado”, aponta.

O lançamento presencial de “Terreiros Urbanos” acontece na quinta-feira (21), no Armazém do Campo, no centro de São Paulo.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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