O ex-governador Cláudio Castro (PL) é um dos alvos da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (15).
A investigação apura possíveis fraudes fiscais do Grupo Fit Combustíveis, dona da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, a Refit. Ricardo Magro, dono do grupo, mora em Miami. O empresário foi incluído pela corporação na lista de Difusão Vermelha, de mais procurados da Interpol.
A ação mira no suposto envolvimento político no ramo de combustíveis “suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”, segundo a PF.
O Grupo Fit é considerado um dos principais devedores de impostos do país. Os chamados devedores contumazes utilizam a inadimplência fiscal como estratégia de negócios. Em novembro, a Operação Poço de Lobato revelou a sonegação de R$ 26 bilhões envolvendo o Grupo Fit.
Nesta sexta (15), a Justiça determinou o bloqueio de, aproximadamente, R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
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Operação Sem Refino
A ação desta manhã foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no âmbito da ADPF das Favelas, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.
Segundo informações da imprensa, agentes fizeram buscas na casa de Castro em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, nesta manhã. Também são alvos da operação o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad.
No total, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
Castro renunciou ao cargo de governador do Rio um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que declarou sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Desde então, o estado é governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto.
Outro lado
Em nota enviada a reportagem, a empresa Refit informou que as dívidas da empresa estão sendo negociadas em “âmbito jurídico de administrativo” e informa que “jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias”. Além disso nega ter fornecido combustíveis para o crime organizado e diz que “sempre atuou como denunciante de postos ligados a facções criminosas”.
A reportagem não obteve retorno da defesa de Cláudio Castro.
Matéria atualizada às 19h36 para incluir o posicionamento da Refit.
