Movimento negro

Lélia ensinou que não há democracia sem combater o racismo, diz liderança do MNU

Rosa Negra destaca o pensamento da filósofa homenageada no 20º Congresso da entidade

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20º Congresso do MNU marcou 48 anos da organização | Crédito: Reprodução/Instagram/MST

Lélia Gonzalez, filósofa e antropóloga que colocou a intelectualidade a serviço da luta das mulheres negras, foi uma das maiores intelectuais de sua época e ensinou que não existe democracia verdadeira sem enfrentar o racismo e o patriarcado. A avaliação é de Rosa Negra, dirigente nacional do Movimento Negro Unificado (MNU).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Rosa Negra afirmou que “seu pensamento segue iluminando a luta antirracista e feminista no Brasil e em toda a América Latina”. Por isso, Lélia foi escolhida como homenageada do 20º Congresso do MNU. “Quando o congresso escolhe Lélia, ele reafirma a centralidade da mulher negra na construção da resistência do Brasil”, pontua.

Nascida em Belo Horizonte e de origem humilde, Lélia se graduou em história e filosofia, lecionou na rede pública e chegou a dirigir o departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio. Foi ela quem cunhou o conceito de “amefricanidade”, sobre a experiência do negro na diáspora. Morreu em 10 de julho de 1994, no Rio de Janeiro, aos 59 anos.

“Nada mais justo que homenageá-la nesse congresso, num debate riquíssimo rumo aos 50 anos do Movimento Negro Unificado”, afirmou Rosa Negra.

O 20º Congresso do Movimento Negro Unificado (MNU) foi realizado entre 15 e 17 de maio e marcou os 48 anos da entidade. Sob o tema “Contra o racismo, sexismo e por reparação”, o evento reuniu mesas de debate, plenárias, grupos temáticos e articulações nacionais e internacionais. Para Rosa Negra, o congresso é um momento de reafirmar a ancestralidade e a importância de construir uma organização política negra comprometida com a transformação social profunda.

Rosa Negra também comentou a PEC da Reparação, em tramitação no Congresso, que debate os atrasos sociais que a escravidão causou para a população negra. “A PEC traz um debate fundamental porque reconhece o racismo que produziu desigualdades estruturais. O Fundo Nacional de Reparação foi fruto de luta do movimento negro, principalmente a frente antirracista, que buscou sensibilizar os parlamentares nesse sentido”, diz. “Não é tudo que sonhávamos, até porque a reparação não pode ser discutida na perspectiva econômica, porque muitos dos nossos ficaram pelo caminho, mas nada mais justo que a gente tenha esse fundo de reparação, para proteger a vida e dar um sentido e uma vida melhor para as futuras gerações.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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