DEsde sexta-feira (15), moradores de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), passaram a contar com atendimentos especializados em oftalmologia por meio de uma unidade móvel do Ministério da Saúde. A carreta integra o programa Agora Tem Especialistas, iniciativa do governo federal voltada à ampliação do acesso a consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em áreas com demanda reprimida.
Instalada no bairro Santa Isabel, a estrutura oferece consultas oftalmológicas, exames como ultrassonografia ocular e procedimentos cirúrgicos, com ênfase nas cirurgias de catarata. Os atendimentos são destinados a pacientes previamente encaminhados pela rede municipal de saúde, seguindo a lógica de regulação do SUS.
Antes de chegar a Viamão, a carreta esteve em Rio Grande, no sul do estado, dando continuidade a um circuito que busca descentralizar o atendimento especializado e reduzir o tempo de espera por procedimentos considerados de média e alta complexidade.
Estratégia para reduzir filas no SUS
A utilização de unidades móveis é uma das frentes adotadas pelo Ministério da Saúde para enfrentar o acúmulo de demandas por atendimento especializado. Segundo a pasta, desde outubro de 2025, as carretas do programa já passaram por mais de 2 mil municípios brasileiros.
A superintendente do Ministério da Saúde no Rio Grande do Sul, Maria Celeste de Souza da Silva, afirma que a iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta do sistema público. Segundo ela, a presença da carreta em Viamão representa uma forma de acelerar o acesso a consultas, exames e cirurgias, especialmente para pacientes que aguardam há longos períodos.
De acordo com dados do ministério, o programa conta atualmente com 76 unidades móveis em operação em todo o país. Em seis meses, essas estruturas percorreram mais de 36,3 mil quilômetros, levando serviços a regiões com menor oferta de atendimento especializado.
Interiorização do atendimento especializado
No Rio Grande do Sul, as carretas já passaram por municípios como Pelotas, Caxias do Sul, Bagé, Canoas, Cachoeirinha e Porto Alegre. A estratégia prioriza cidades-polo e regiões com dificuldades de acesso a serviços especializados, funcionando também como referência para municípios vizinhos.
A proposta é reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para grandes centros urbanos, o que, segundo gestores públicos, impacta diretamente na adesão ao tratamento e no tempo de resposta do sistema.
Além da oftalmologia, o programa inclui unidades móveis voltadas à saúde da mulher e à realização de exames de imagem. Na mesma semana em que Viamão recebe a carreta oftalmológica, outras cidades em diferentes estados também passam a contar com estruturas semelhantes, como Cruzeiro do Sul (AC), Guajará (AM) e Araçuaí (MG), entre outras.
Investimentos em infraestrutura e ampliação da rede
A agenda do Ministério da Saúde no estado também incluiu o anúncio de novos investimentos em Porto Alegre. Ao todo, R$ 133 milhões serão destinados à construção de uma policlínica na região da Restinga e de uma maternidade com capacidade para até 100 leitos.
Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, a policlínica deverá ampliar a oferta de consultas em diversas especialidades, enquanto a maternidade terá capacidade para realizar mais de 7,5 mil partos por ano. Ele afirma que os investimentos fazem parte de uma estratégia de fortalecimento da rede pública e de redução do tempo de espera por atendimento.
Os recursos integram o Novo PAC Saúde, programa federal que prevê R$ 37,2 bilhões em investimentos em todo o país. No Rio Grande do Sul, foram selecionadas 1.688 propostas, somando R$ 1,40 bilhão, incluindo a construção de unidades básicas de saúde, aquisição de ambulâncias e implantação de policlínicas.
Ampliação de procedimentos e parcerias
Além das unidades móveis, o programa Agora Tem Especialistas atua com outras medidas para ampliar o acesso a serviços especializados. Entre elas estão a realização de mutirões em finais de semana, a ampliação do horário de atendimento em unidades de saúde e a utilização de estruturas ociosas em hospitais públicos.
Outra frente envolve parcerias com hospitais privados e filantrópicos, que passam a atender pacientes do SUS mediante compensação por meio de créditos tributários. A medida tem sido apontada pelo governo como uma forma de aumentar rapidamente a capacidade de atendimento sem depender exclusivamente da expansão da rede própria.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, foram realizados 14,9 milhões de procedimentos cirúrgicos eletivos no país, um aumento de 42% em relação a 2022. Também foram contabilizados 1,3 milhão de exames e cerca de 14 milhões de internações no período.
A expectativa do governo federal é que a combinação entre investimentos em infraestrutura, ampliação da força de trabalho e estratégias como as unidades móveis contribua para reduzir o tempo de espera no SUS, especialmente em especialidades com maior demanda reprimida, como a oftalmologia.
