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MST-PR lança 4ª Jornada da Natureza com semeadura aérea de 30 toneladas de juçara na Mata Atlântica

Ação entre 1º e 6 de junho atenderá terras indígenas, quilombolas e áreas da reforma agrária no Paraná

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Semeadura de semente da palmeira juçara em 2025
Comunidades participam de semeadura aérea da palmeira juçara | Crédito: Foto: Juliana Barbosa

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) do Paraná realiza, entre 1º e 6 de junho de 2026, a 4ª Jornada da Natureza. A iniciativa inclui semeadura aérea e distribuição de 30 toneladas de sementes de palmeira juçara para reflorestamento da Mata Atlântica em terras indígenas, quilombolas e assentamentos da reforma agrária, incluindo áreas atingidas por tornado em Rio Bonito do Iguaçu (PR).

Sob o lema “Semeando vida para enfrentar a crise ambiental”, a ação percorre dezenas de municípios paranaenses com programação de oficinas, plantio de mudas, recuperação de áreas degradadas e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs).

“A Jornada da Natureza é a expressão do que já acontece nos territórios, e também impulsiona processos que envolvem as ações ambientais. A cada ano cresce, porque é um compromisso permanente das comunidades”, diz Camila Modena, do setor de produção, cooperação e meio ambiente do MST do PR.

Nas três primeiras edições, foram 25 toneladas de sementes lançadas por helicóptero e outras 10 toneladas plantadas e entregues em comunidades do estado.

Semeadura aérea das sementes da palmeira juçara durante terceira edição da Jornada da Natureza | Crédito: Foto: Leandro Taques

4ª Jornada da natureza: Semeando vida para enfrentar a crise ambiental

“A palmeira juçara é uma das espécies da Mata Atlântica que sofrem risco de extinção. Ela produz fruto semelhante ao açaí, e é muito adaptável no bioma, tendo registrado alta taxa de germinação, inclusive com a semeadura aérea”, explica Modena.

Acompanhamento do crescimento da palmeira juçara | Crédito: Fotografia: Juliana Barbosa

A semeadura por helicóptero teve efetividade comprovada por pesquisadores dos Sistemas Agroflorestais, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), Ibama e Itaipu Binacional. O monitoramento da equipe de pesquisa mostrou que nasceram entre 10 e 11 mil mudas por hectare, a partir da primeira semeadura, realizada em julho de 2023. O Estudo foi apresentado na terceira edição da Jornada.

Indígenas se mobilizam para semeadura de palmeira juçara na TI Rio das Cobras | Crédito: Vino Carvalho / Divulgação MST


“Agora, vamos para o quarto ano de plantio, sabendo que dentro de 3 anos poderemos começar a colher o fruto desse trabalho. Então, além da recuperação e do saldo de organização popular em defesa do meio ambiente, o projeto também tem esse caráter, de viabilizar atividades econômicas sustentáveis nestas comunidades”, diz Modena.

Os povos e comunidades em defesa da vida

Além do MST, a Jornada da Natureza é uma atividade que envolve comunidades Indígenas e Quilombolas do estado (vide programação abaixo). Este ano, as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira se somam, pela primeira vez, aos territórios que recebem a semeadura da palmeira. Ao todo, 12 comunidades (entre os municípios de Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu e Nova Laranjeiras e Adrianópolis) vão receber as sementes, além de diversas comunidades de Reforma Agrária que realizarão atividades em seus territórios.

Comunidade indígena Rio das Cobras, em preparo para a semeadura aérea na segunda edição da Jornada | Crédito: Fotografia: Juliana Barbosa

“Um dos trabalhos mais significativos desse ano, além do encontro com as comunidades quilombolas, é o trabalho de reflorestamento das áreas de Rio Bonito do Iguaçu que foram atingidas pelo tornado de 2025”, dizTarcísio Leopoldo, da direção estadual do Movimento no Paraná. Para ele, trata-se de uma continuação de um trabalho de solidariedade. “Essa decisão vem da nossa compreensão de que o meio ambiente é a nossa casa comum. O tornado foi uma consequência da exploração irresponsável da natureza, e agora as próprias comunidades se unem para cuidar”, afirma.

Camila Modena concorda. “A partir do programa da Reforma Agrária Popular, nós compreendemos que o cuidado da natureza só é possível com a participação organização popular. E a Jornada tem nos mostrado isso, que lutar pela terra, plantar a juçara nos territórios, junto das pessoas, é um caminho para garantir a conservação do habitat junto ao povo, que também é seu guardião”, diz.

Além do MST, a Jornada da Natureza é organizada em Parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Instituto Contestado de Agroecologia (ICA), com a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (Acap); a Cooperativa Central da Reforma Agrária (CCA); a Cooperativa de Crédito Rural de Pequenos Agricultores da Reforma Agrária (Crehnor), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul; o Laboratório Vivan de Sistemas Agroflorestais; a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); o Instituto Água e Terra; o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (Ceagro); a Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vidas (Apoqi); a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); a Prefeitura Municipal de Quedas do Iguaçu; a Fundação Luterana de Diaconia, o Programa Capa de Agroecologia, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Água e Terra da Paraná (IAT).


Programação

01/06: Terra Indígena Rio das Cobras – Nova Laranjeiras – Semeadura aérea de 2 toneladas de semente da palmeira juçara;

02/06: Comunidade Dom Tomás Balduíno – Quedas do Iguaçu – Semeadura aérea de 10 toneladas;

03/06: Comunidade Herdeiros da Terra de 1º de maio – Rio Bonito do Iguaçu + Atividades na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Laranjeiras do Sul (com presença da Min. das mulheres Márcia Lopes); semeadura aérea de 4 toneladas;

06/06: Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira/Comunidade João Surá – Adrianópolis – Semeadura aérea de 2 toneladas.


*Com informações do setor de comunicação e cultura do MST-PR

Editado por: Thaís Ferraz
Sindicalizadas/os no SISMUC

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