O presidente da Comissão Especial que discute o fim da 6×1, deputado federal Alencar Santana (PT-SP), pontuou nesta segunda-feira (18) ser contrário aos empresários que defenderam a manutenção da 6×1 em comissão da Câmara. Para o parlamentar, seria “um retrocesso” não pautar a redução da jornada de trabalho.
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da PEC 221/19, disse ao Brasil de Fato que “o regime trabalhista que vivemos é semelhante a uma escravidão moderna” e que a urgência do tema “pede agilidade e renovação”, porque, segundo ele, “é preciso mais tempo para que as trabalhadoras e trabalhadores fiquem com suas famílias”.
Empresas pelo fim da 6×1
A empresária Isabela Raposeiras retrucou os representantes das categorias ouvidos pela Comissão e sinalizou que “eles não nos representam”. Ela, que é proprietária de uma cafeteria em São Paulo, relatou que acha “desumano” o funcionamento dos estabelecimentos em escala 6×1.
“Já temos mais de 10 mil assinaturas de empresas que apoiam o fim da 6×1. […] estou me propondo, de maneira gratuita, a ajudar e já estou fazendo isso com as empresas para que elas façam a transição da melhor forma”, disse.
A PEC 221/19, reduz gradualmente, ao longo de dez anos, a atual jornada de 44 horas semanais para 36 horas. Já a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), propõe uma semana de quatro dias de trabalho com limite de 36 horas, com período de transição de um ano.
Na semana passada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou um acordo com o governo para reduzir a jornada de trabalho no país para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem corte nos salários. De acordo com Motta, casos específicos deverão ser regulamentados pelo Projeto de Lei 1838/26, encaminhado pelo Executivo, além de negociações previstas em convenções trabalhistas.
