As conversas vazadas entre o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro fizeram crescer a percepção de que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são os principais envolvidos no esquema de fraudes financeiras do Banco Master, segundo levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta terça-feira (19).
A pesquisa mostra que 43,3% dos entrevistados apontam os aliados de Bolsonaro como os mais envolvidos no caso. O índice representa uma alta de 15 pontos percentuais em relação ao levantamento realizado em março, quando esse grupo era citado por 28,3%, e as mensagens entre Vorcaro e Flávio ainda não tinham se tornado públicas.
No mesmo período, caiu a parcela que atribui maior envolvimento a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), saindo de 39,5% para 32,8%. A percepção de que todos os grupos políticos estão igualmente implicados passou de 14,6% para 16,1%. Já os que responsabilizam principalmente o Centrão caíram de 12,9% para 7,1%. O percentual dos que disseram não saber também recuou, de 4,7% para 0,7%.
Entre os entrevistados que afirmaram ter conhecimento do vazamento das conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, 51,7% disseram ver indícios de envolvimento direto do senador no escândalo do Banco Master.
Outros 33,3% avaliaram que as conversas mostram uma tentativa legítima de obter apoio financeiro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Já 12,1% disseram enxergar apenas uma relação de proximidade entre Flávio e o dono do banco, sem comprovação de ilegalidade. O percentual dos que não souberam responder foi de 2,9%.
Flávio teria negociado US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) com Daniel Vorcaro para financiar o projeto cinematográfico “Dark Horse”, que pretende contar uma história romanceada da trajetória de Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Segundo áudios, documentos e mensagens divulgados pelo portal Intercept Brasil no dia 13 de maio, US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) teriam sido pagos em seis operações. Os arquivos compreendem o período de fevereiro a maio de 2025.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio a Vorcaro, em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de novembro de 2025, um dia antes de o banqueiro tentar fugir do país.
As conversas também indicam que o dono do Banco Master acompanhava pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em relação a outros compromissos financeiros.
Em outro áudio, Flávio cobra parcelas atrasadas de Vorcaro. “Apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. Mas, enfim, não é porque está num momento muito decisivo aqui do filme. É como tem muita parcela para trás. […] Eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário (sic) do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus Nowrasteh, os caras, renomadíssimos lá no cinema americano mundial, pô, ia ser muito ruim, né? […] E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui.”
Um dia depois da divulgação das conversas, Flávio confessou que pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme. Segundo o senador, o motivo para nunca ter mencionado a parceria estaria ligado a questões de confidencialidade do contrato entre a produtora do filme e os financiadores.
“Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar. Se eu falo assim: ‘eu conheço o Vorcaro’, a pergunta seguinte qual ia ser? ‘Qual a sua relação com ele?’ Eu ia ter que falar do filme. Foi só por isso que eu me eximi”, alegou, em entrevista à Globonews.
O pré-candidato à Presidência não explicou os termos dos contratos, nem quem seriam os demais financiadores do filme. Flávio também disse que, quando vieram à tona as denúncias e investigações contra Daniel Vorcaro e o Banco Master, o fundo ao qual o dinheiro foi transferido foi congelado e o banco questionado. Porém, não apresentou qualquer comprovação dessas informações.
