bate-boca no Senado

‘Banco Central resistiu à pressão política’, diz Galípolo sobre tentativa de venda do banco Master ao BRB

Presidente do BC disse ainda que a quebra do Master 'não oferece risco sistêmico' ao mercado financeiro

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CPI do Crime Organizado.
– 08/04/2026 – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CPI do Crime Organizado. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil. | Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo participou, nesta terça-feira (19), de uma sessão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Entre declarações e bate-bocas, a autoridade da instituição monetária pediu para que o Congresso aprove, o quanto antes, o projeto de lei que prevê autonomia do BC, mas, ao mesmo tempo, garantiu que a instituição não cedeu às pressões políticas em favor da venda do banco Master ao BRB.

“No momento em que estávamos impedindo a aquisição [do banco Master pelo BRB], houve projeto nesta Casa pedindo a minha demissão. O Banco Central resistiu à pressão política”, declarou.

Galípolo disse ainda que “o Banco Central não é palanque, toma decisão correta independentemente de quem está jogando pedra e fazendo barulho”. A fala foi seguida do questionamento do presidente da Comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que questionou a falta de transparência.

“A reação pública de Vossa Excelência naquele momento era pedagógica para a autonomia do BC, e isso não foi feito. Isso é gravíssimo!”, afirmou o parlamentar.

“Foi um fato gravíssimo e nunca vi o senhor falar disso. […] Não tivemos uma reação pública do senhor. Era pedagógico para delimitar a independência do Banco Central”, disse Renan.

“Não é função do Banco Central gravar vídeo para o TikTok ou postar no Instagram. Nós tomamos as medidas corretas“, disse o presidente do BC em outro momento.

Impacto do Master

Galípolo disse, ainda, que o Banco Master não possui dimensão suficiente para provocar um “risco sistêmico” no sistema financeiro nacional, mas indicou preocupação sobre a utilização dos recursos movimentados pela instituição.

“Concordo que isso está consternando as pessoas; não é o passivo (no caso da dívida do Master). Mas o que foi feito com o dinheiro. Um banco S3, na terceira divisão do futebol do sistema financeiro, não oferece risco sistêmico, é menor que 0,5% do patrimônio (do total do sistema). O que chama a atenção é o que se fazia com o dinheiro”, declarou Galípolo.

As declarações ocorrem na esteira das revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso no complexo da Polícia Federal em Brasília, e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na última semana, veio à tona que Vorcaro manteve interlocução direta com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Segundo as informações reveladas pelo The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos e pressionado pela liberação de pagamentos relacionados ao projeto audiovisual. O banqueiro chegou a desembolsar R$ 61 milhões.

Editado por: Luís Indriunas

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