educação pública

Greves de professores expõem pressão por privatização dos governos municipal e estadual de SP

Daniel Cara fala sobre como a educação virou algo rentável para a elite econômica

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Professores da rede municipal de São Paulo realizam ato durante o 16º dia de greve em frente à Prefeitura, no dia 13 de maio
Professores da rede municipal de São Paulo realizam ato durante o 16º dia de greve em frente à Prefeitura, no dia 13 de maio | Crédito: Divulgação/Graça Donegati/Sinpeem

Os professores municipais de São Paulo mantiveram a greve, que já dura desde 28 de abril, após assembleia na terça-feira (19). Paralisações dos servidores públicos da educação têm exposto os processos de desmonte da área, tanto na esfera estadual, com a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), quanto na esfera municipal, com Ricardo Nunes (MDB).

Essa é a avaliação do colunista Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), em participação no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Ele destaca que o que está em curso é um processo de precarização da educação para justificar a entrega do setor à iniciativa privada. “Os servidores têm razão. Tanto Nunes quanto Tarcísio têm buscado construir alternativas de privatização. Eu estou com uma estudante de doutorado que é da rede municipal de educação e estuda a estratégia de privatização do Liceu Coração de Jesus. A prefeitura de SP paga matrículas nesta escola, inclusive de forma inconstitucional. Essa tentativa tem se dado por meio de diversas estratégias, inclusive forçando uma redistribuição dos docentes para diferentes estabelecimentos para enfraquecer a creche que é, em sua melhor qualidade, aquela ofertada pela administração direta. A ideia do Ricardo Nunes é esvaziar esses equipamentos que têm qualidades enormes”, diz.

Outra grande questão é a estrutura física do sistema de ensino, com problemas de segurança, infraestrutura e até mesmo de vagas na rede pública. “O Ministério Público tem tomado iniciativas para punir o poder público por causa dessas situações. A prefeitura e o governo do estado devem ser punidos pela maneira completamente irresponsável com que lidam com a educação. Mas a sociedade tem que punir porque ela tem poder para isso. E aí eu acho que não dá para eleger políticos que não têm compromisso com a educação. E muito menos reeleger”, afirma.

Daniel Cara lembra que os recursos destinados à educação somam em torno de R$ 400 bilhões anualmente. E isso cresce os olhos da elite econômica. “O que está por trás dessa iniciativa de privatização é um processo em etapas. Em primeiro lugar, com fundações e diversas organizações da sociedade civil, todas articuladas com empresários, procurou-se reduzir a pressão por investimentos na educação. Nós sempre fomos vitoriosos no Congresso Nacional para aprovar leis que aumentavam os recursos da educação. E a elite econômica, com as fundações empresariais, tentaram frear esse movimento. O segundo passo foi gerir esses recursos por meio de diversas formas de disputa por hegemonia das ideias, de estratégias de gestão e tecnologias de gestão. Quando você já avança para hegemonizar a gestão da educação pública, o próximo passo é privatizar a oferta, ou seja, se apropriar dos recursos”, diz.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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