O governo iraniano respondeu às novas ameaças do presidente estadunidense Donald Trump de retomar ataques ao país persa caso não haja um acordo nas negociações em curso. Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que uma nova agressão pode levar o conflito para além do Oriente Médio.
Segundo a Guarda, EUA e Israel “não aprenderam” com as “derrotas estratégicas repetidas” sofridas contra a República Islâmica. A declaração foi divulgada horas depois de Trump afirmar que dará ao Irã “dois ou três dias” para chegar a um acordo.
“O inimigo americano-sionista, que não aprendeu lições com suas grandes e repetidas derrotas estratégicas contra a Revolução Islâmica e voltou novamente às ameaças, deve saber que, embora tenha nos atacado usando todas as capacidades de dois dos exércitos mais caros do mundo, nós não utilizamos todas as capacidades da Revolução Islâmica contra eles”, afirmou a Guarda Revolucionária.
Na sequência, o órgão militar advertiu que uma eventual retomada dos ataques poderá ampliar a guerra. “Se a agressão contra o Irã se repetir, a guerra regional prometida desta vez se estenderá para além da região”, declarou.
A manifestação da Guarda Revolucionária foi feita no mesmo dia em que Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país nas conversas com os Estados Unidos, acusou Washington de tentar reacender o conflito.
“As manobras do inimigo, tanto abertas quanto secretas, demonstram que, apesar da pressão econômica e política, ele não abandonou seus objetivos militares e busca iniciar uma nova guerra”, afirmou Ghalibaf, em mensagem de áudio transmitida pela imprensa iraniana.
Trump ameaça novos ataques enquanto negociações seguem
As declarações iranianas vieram após Trump afirmar, também nesta quarta-feira (20), que os Estados Unidos estão na “fase final” da questão iraniana. Antes de embarcar no Air Force One, o presidente estadunidense disse a jornalistas que há duas possibilidades: um acordo ou “medidas drásticas”. Em seguida, afirmou que não está “com pressa” para fechar um entendimento com Teerã.
Na terça-feira (19), o presidente dos Estados Unidos já havia ameaçado atacar novamente o Irã caso as negociações fracassassem. Segundo ele, Teerã teria “dois ou três dias, talvez sexta, sábado, domingo, algo assim, talvez no começo da próxima semana”.
Apesar da escalada verbal, as negociações entre os dois países continuam. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que os contatos entre Teerã e Washington seguem ocorrendo por meio de mediadores paquistaneses.
“Basicamente, o que queremos não é uma exigência, mas nossos direitos”, afirmou Baghaei, segundo a agência estatal iraniana Irna. Entre as reivindicações iranianas está a suspensão das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Também nesta quarta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, elogiou a decisão de Trump de adiar novos ataques para abrir espaço às negociações. Em publicação na rede X, o chanceler saudita afirmou que Riad apoia “dar uma chance à diplomacia” para alcançar um acordo que encerre a guerra e restabeleça a segurança no estreito de Ormuz.
