Global Sumud

Ministro israelense supervisiona agressões contra ativistas da Flotilha e zomba: ‘somos donos da casa’

Nas imagens, Itamar Ben-Gvir caminha sorrindo e provocando detidos algemados, vendados e ajoelhados

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Uma das cenas do vídeo compartilhado por Itamar Ben-Gvir; em outros momentos, é possível ver ativistas ajoelhados e vendados
Uma das cenas do vídeo compartilhado por Itamar Ben-Gvir; em outros momentos, é possível ver ativistas ajoelhados e vendados | Crédito: Reprodução/X/@itamarbengvir

O ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, publicou em suas redes sociais nesta quarta-feira (20) um vídeo que mostra a sua visita ao porto de Ashdod, onde os ativistas da Flotilha Global Sumud estão sendo mantidos sob custódia após um recente sequestro orquestrado pela Marinha israelense em águas internacionais. A publicação foi intitulada “É assim que recebemos apoiadores do terrorismo. Bem-vindos a Israel”.

Nas imagens, o político aparece caminhando entre os ativistas solidários à causa palestina. Uma ativista grita “Palestina livre” e, logo em seguida, é empurrada ao chão por um agente de segurança mascarado. Outros cortes registram os ativistas algemados, vendados e ajoelhados sob vigilância. Enquanto isso, Ben-Gvir supervisiona as agressões físicas contra os detidos e zomba deles, dizendo frases provocativas como “Bem-vindos a Israel, nós somos os donos da casa” e “O povo de Israel está vivo”.

De acordo com o jornal israelense Haaretz, os ativistas da missão humanitária rumo à Faixa de Gaza foram levados ao porto de Ashdod e estariam sendo mantidos em um armazém, sendo obrigados a permanecer ajoelhados, com as mãos presas por abraçadeiras plásticas, em filas. Em alguns momentos, alto-falantes reproduzem o hino nacional israelense.

As imagens compartilhadas pelo próprio ministro israelense ganharam repercussão e foram criticadas pela comunidade internacional. Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni e o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, classificaram, por meio de um comunicado conjunto, o conteúdo exibido como “inaceitável” e que fere “princípios básicos de dignidade humana”. A nota também informou a convocação imediata do embaixador de Israel em Roma para esclarecimentos.

Em Israel, o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, também rejeitou o comportamento de seu colega. “Você causou intencionalmente danos ao nosso estado nessa exibição vergonhosa — e não é a primeira vez”, disse o chanceler israelense, atribuindo suas críticas a Ben-Gvir apenas pelo descrédito à imagem do projeto sionista, sem considerar a violação de direitos humanos contra os ativistas

“Você desfez esforços tremendos, profissionais e bem-sucedidos feitos por tantas pessoas — desde soldados das IDF até funcionários do Ministério das Relações Exteriores e muitos outros”, disse. “Você não é o rosto de Israel”.

Em seguida, Ben-Gvir se defendeu, respondendo ao comunicado do chanceler que “há aqueles no governo que ainda não entenderam como se deve comportar com apoiadores de terroristas”, acrescentando que “quem chega ao nosso território para apoiar o terrorismo e se identificar com o Hamas vai levar um soco”. Vale lembrar que os ativistas da flotilha se dirigiam ao território palestino levando ajuda humanitária às vítimas do genocídio e foram detidos ilegalmente pelo regime sionista em águas internacionais.

Brasileiras sequestradas

Na segunda-feira (18), três brasileiras que integravam a Flotilha Global Sumud foram sequestradas pelas forças israelenses em águas internacionais, área fora do domínio do regime sionista. Tratam-se de Ariadne Teles, Thainara Rogério e Beatriz Moreira de Oliveira, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Nesse mesmo dia, o Itamaraty publicou uma nota conjunta com os governos de Bangladesh, Colômbia, Espanha, Indonésia, Jordânia, Líbia, Maldivas, Paquistão e Turquia, classificando como “catastrófico” o sofrimento de que padecem os palestinos e de “arbitrária” a detenção dos ativistas.

“Conclamam a comunidade internacional a assumir suas responsabilidades legais e morais, garantir a proteção de civis e de missões humanitárias e adotar medidas concretas para pôr fim à impunidade e assegurar responsabilização por essas violações”, afirmou o comunicado, criticando o desrespeito contínuo de Israel ao direito internacional e à liberdade de navegação.

(*) Com Agência Brasil e Ansa

Editado por: Opera Mundi
Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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