LUTO

Morre Milton Bicalho, referência da psicologia mineira e membro do conselho editorial do BdF MG 

Militante da reforma psiquiátrica e ex-presidente do CRP-MG deixa legado na defesa do SUS e dos direitos humanos

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Milton Bicalho
A tragetória de Milton Bicalhofoi marcada pela defesa da saúde pública. | Crédito: Luciléia Miranda/ BdF MG

O psicólogo Milton dos Santos Bicalho morreu hoje (20), em João Pessoa, deixando uma trajetória marcada pela defesa da saúde pública, da reforma psiquiátrica e da valorização da psicologia como ferramenta de transformação social. Integrante do Conselho Editorial do Brasil de Fato MG, Milton foi uma das referências históricas da categoria em Minas Gerais e teve atuação destacada nos conselhos regional e federal de psicologia.

Em nota de pesar, o Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG) destacou a importância de sua contribuição para a categoria. 

Sua trajetória foi marcada pela defesa da saúde pública

“Sua trajetória foi marcada pela defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela valorização da Psicologia em Minas Gerais. Sua atuação deixa um legado inestimável para toda a categoria”, afirmou a entidade.

Milton Bicalho presidiu o CRP-MG durante o X Plenário e construiu uma longa militância ligada às pautas da saúde mental e dos direitos humanos. Formado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em Psicologia pela Newton Paiva, também era mestre em Psicologia Social pela UFMG. Atuou por 23 anos na rede pública de saúde de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), onde desenvolveu parte importante de seu trabalho.

Ao longo de décadas de atuação política e profissional, Bicalho participou ativamente da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica brasileira, defendendo modelos de cuidado em liberdade e políticas públicas voltadas à dignidade das pessoas em sofrimento psíquico. 

Além de sua passagem pelo Conselho Regional de Psicologia, também teve participação no Conselho Federal de Psicologia e integrou o coletivo nacional Esperançar, espaço político ligado às disputas e formulações da categoria em defesa de uma psicologia comprometida socialmente.

Milton Bicalho também era membro docente da Fundação Gregório Baremblitt / Instituto Félix Guattari, onde aprofundou estudos e práticas em esquizoanálise e esquizodrama. Ao longo da vida, participou de debates públicos, entrevistas e atividades de formação voltadas à saúde mental, políticas públicas e questões sociais.

Paralelamente à militância na psicologia, Milton construiu uma atuação reconhecida em espaços de acolhimento e diálogo entre fé, diversidade e direitos humanos. Integrava o coletivo Diversidade Católica BH, organização que lamentou sua morte em publicação nas redes sociais.

“Milton foi presença marcante em nossa caminhada, participando ativamente da comunidade e também da coordenação do Diversidade Católica BH, sempre com carinho, acolhimento, escuta e compromisso com o próximo”, destacou o grupo.

No conselho editorial do Brasil de Fato MG, Bicalho contribuiu para fortalecer um projeto de comunicação popular comprometido com a democracia, a justiça social e a defesa dos direitos humanos. Sua presença era marcada pela sensibilidade, pela escuta e pela construção coletiva.

O Brasil de Fato MG se solidariza com familiares, amigos, colegas de profissão e companheiros de militância neste momento de despedida.  

A cerimônia de despedida acontece neste sábado (23), de 10h às 14h, no Funeral House, localizado na Av. Afonso Pena, 2158, Funcionários, BH/MG.

Já o sepultamento acontece no Cemitério Renascer, também no sábado, às 16h, na Via Manoel Jacinto Coelho Júnior, 1800, Chácara Boa Vista, Contagem/MG.

Editado por: Elis Almeida

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