Memória e justiça

30 anos da Marcha do Silêncio: uruguaios vão às ruas para exigir justiça pelos desaparecidos durante a ditadura

Manifestantes pediram abertura de arquivos sobre desaparecidos durante o regime militar uruguaio

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Milhares de uruguaios foram às ruas de Montevidéu na 30ª Marcha do Silêncio
Milhares de uruguaios foram às ruas de Montevidéu na 30ª Marcha do Silêncio | Crédito: Foto por JAVIER CALVELO / ADHOC / AFP

Milhares de uruguaios marcharam nesta quarta-feira (20) em Montevidéu, capital do Uruguai, e em outras cidades do país para exigir a abertura de arquivos que ocultam informações sobre as vítimas desaparecidas durante a última ditadura civil-militar (1973-1985).

A 30ª edição da Marcha do Silêncio foi convocada pela organização Mães e Familiares de Uruguaios Detidos e Desaparecidos, com o objetivo de homenagear e lembrar os 205 desaparecidos e exigir informações sobre o seu paradeiro.

Os manifestantes relembraram os assassinatos de Héctor Gutiérrez Ruiz, Zelmar Michelini, Rosario Barredo, William Whitelaw e o desaparecimento forçado de Manuel Liberoff, durante operações realizadas em território argentino em 1976, no âmbito da Operação Condor.

Sob o lema “30 anos de marcha: contra a impunidade de ontem e de hoje. Exigimos respostas. Onde estão elas?”, a manifestação pediu ao Poder Executivo que ordenasse a abertura definitiva de todos os arquivos militares. A tradicional marcha partiu do cruzamento das ruas Rivera e Jackson em direção à Praça Cagancha, na capital uruguaia.

A Juventude Interpartidária, que inclui a Frente Ampla (FA), o Partido Nacional (PN), o Partido Colorado (PC) e o Partido Independente, reuniu-se no evento em homenagem às vítimas da ditadura.

Por sua vez, a Associação de Mães e Familiares de Uruguaios Detidos e Desaparecidos insistiu que o Poder Executivo, na sua qualidade de comando superior das Forças Armadas, tem poderes legais e institucionais para exigir a entrega de todas as informações que, segundo a sua denúncia, ainda permanecem ocultas em instalações militares.

“Há 81 casos que ainda estão sob investigação e que reafirmam a dolorosa convicção de que o terrorismo de Estado exerceu sua influência nefasta sobre todo o nosso povo, tanto dentro como fora das nossas fronteiras”, observou a organização.

Por sua vez, a Frente Ampla declarou que “três décadas após aquela primeira marcha, continuamos a exigir verdade, memória e justiça. A ditadura cívico-militar deixou uma ferida profunda em nossa sociedade: 205 uruguaios permanecem desaparecidos e suas famílias continuam à espera de respostas”.

Editado por: Telesur
Conteúdo originalmente publicado em: Telesur

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