O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria feito um convite ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência no Brasil, para um encontro na Casa Branca. A notícia não foi oficialmente confirmada por nenhuma das partes, mas está sendo amplamente difundida no noticiário nacional.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, lembra que Trump não é um líder confiável e que, por enquanto, é preciso aguardar confirmação do convite. “A própria guerra no Irã é um exemplo disso. Nós vimos inúmeras oportunidades em que Trump mentiu, desmentiu, se contradisse. Esse é o modus operandi dele. E agora, por ocasião da visita à China, Trump disse que Xi [Jinping] teria dito a ele que Putin se arrependeria na guerra na Ucrânia. E falou isso às vésperas da visita que o presidente da Rússia fez à China”, pontua.
Leães destaca que o atual momento de Flávio Bolsonaro enquanto pré-candidato é péssimo e que ele, naturalmente, está tentando buscar algum tipo de notícia que o favoreça em alguma medida. “Nós temos agora o momento mais baixo da campanha de Flávio Bolsonaro. O escândalo do Banco Master está impactando as possibilidades de ele se tornar candidato, porque existem setores na direita que não queriam a candidatura de Flávio e estão aproveitando para jogar todas as sua munições contra essa possibilidade tentando vislumbrar um cenário alternativo”, analisa.
Israel x EUA
Os Estados Unidos entraram em conflito contra o Irã por procuração de Israel e, até o momento, o ônus tem sido para a posição de Trump no cenário internacional e para a economia mundial. Benjamin Netanyahu e o presidente estadunidense tem entrado em desacordo com os rumos da guerra e, ao mesmo tempo, o governo iraniano segue preparado para continuar a resistência.
“Ao longo do tempo, foram surgindo várias notícias que foram aumentando a quantidade de mísseis e drones que os iranianos tinham. Primeiro se falou, com algumas semanas de guerra, que talvez os iranianos ainda tivessem 30%. Depois eu vi alguns falando em 50%. Agora as últimas informações já estão girando em torno de 70%, 80%. E o próprio ministro de Relações Exteriores do Irã, Abas Aratchi, fez um comentário dizendo que o estoque de mísseis iranianos é de 120% em relação ao início da guerra. O fato é que o Irã segue com plenas condições de manter uma guerra longa. O Irã se preparou para esse conflito há duas décadas. E o grande arsenal do Irã, a sua grande força, o seu grande recurso, é justamente a sua capacidade de produzir mísseis e drones”, avalia Ricardo Leães.
O analista também destaca que os Estados Unidos seguem em cenário cada vez mais desfavorável, perdendo apoios importantes de países na Europa e na própria região do Oriente Médio, que há muito tempo pressionam Trump para o encerramento do conflito que ele mesmo começou. “Me parece que sim, esses países estão com muito medo de um retorno dessa guerra, porque eles sabem que os ataques iranianos foram muito moderados em relação ao que poderiam ter sido, com a única exceção sendo os Emirados Árabes Unidos, um país que tem se comportado como o posto avançado de Israel. É o país que mais pressiona para um retorno da guerra, além, é claro, de Tel Aviv. Inclusive se diz que teria realizado alguns ataques contra o território iraniano, contra a infraestrutura energética do Irã”, aponta.
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